Por Joedson Telles
Como já havia feito, por exemplo, com um dos zeladores do condomínio e com o barbeiro, Edvaldo, antes de pagar o pão no supermercado indago à caixa sobre o resultado do segundo turno das eleições para presidente da República. De súbito, entretanto, uma jovem que esperava na fila chama pra si a indagação e responde seco: “Flávio. Não aguento mais aquele velho…”
É óbvio que, como só há dois candidatos, e um deles é o citado Flávio Bolsonaro, resta a Lula vestir a carapuça. Mais óbvio ainda que não entrei num embate cujo argumento exposto sinalizou o nível rasteiro que estaria por se apresentar.
Aqui, contudo, permito-me transformar a imaginação em algumas linhas.
Nada contra um eleitor escolher Flávio ou Lula. O voto é um direito do cidadão e deve ser exercido sem amarras. Quem paga salários, através de impostos, tem que decidir mesmo quem ocupa não apenas o cargo de presidente da República como também o de governador, senador, deputado… Não há razoabilidade em colocar isso em xeque.
Entretanto, e isso também explica a minha opção pelo silêncio no supermercado, a escolha inteligente, creio, jamais carrega em si o preconceito. É muito pequeno rechaçar um político com o argumento de não aguentá-lo mais por ser “velho”. E se ao invés de Flávio, o candidato fosse Jair Bolsonaro, o voto seria branco ou nulo? O Lula, aliás, está bem. Ninguém o flagrou em verbos ou ações que poderiam espelhar a falta de lucidez.
Do mesmo modo, as pessoas inteligentes, acredito, analisam sem paixão o que Lula fez em prol do Brasil, em vários anos de vida pública, sobretudo no exercício do cargo de presidente, o que ainda pode fazer, os sus erros e, então, decidem se votam nele ou não.
Quer mudar? Quer apostar no Flávio Bolsonaro? É legítimo. O voto, como disse, é livre. Mas, por ética, dever moral, empatia com o próximo… descarte o preconceito.
Creio que o “feijão com arroz” ainda é o melhor prato. Analisar as biografias dos dois candidatos. Ver quem apresenta o melhor projeto. Pesar o entorno. Sergipe. Comparar técnica e politicamente e, então, decidir pelo melhor, sem levar em conta a data de nascimento ou qualquer critério que espelhe discriminação.






