Por Joedson Telles
Parece não haver dúvida: o vice-prefeito de Aracaju, o jornalista Ricardo Marques, tomou a decisão equivocada, pensando em viabilizar o projeto de ser governador do Estado de Sergipe.
Se não tinha mais como permanecer no grupo liderado pela prefeita Emília Corrêa por divergências, Ricardo não vem tendo vida fácil no PL. Faltam, no mínimo, estrutura e visibilidade, que podemos definir como o básico para enfrentar adversários em uma disputa acirrada pelo governo. Isso se reflete nas pesquisas que mostram Ricardo sempre em 3º lugar e bem distante do segundo colocado; ajuda a entender os números.
A candidatura de Ricardo parece não ter, para os candidatos a presidente pelo partido, Flávio Bolsonaro, e a senador, Rodrigo Valadares, a mesma atenção que eles dão, obviamente, aos seus projetos; e Ricardo parece, de certa forma, refém da situação.
Preparado, honesto e bem intencionado, Ricardo Marques, a menos que consiga levar este contexto ao eleitor, pode, como se diz no jargão político, “ter se queimado”. A maior fatia do eleitorado não costuma analisar os detalhes, e, assim, não leva em conta as barreiras enfrentadas.
Se as urnas confirmarem as pesquisas, Ricardo pode não ser reconhecido como uma vítima, mas como um político cujo projeto não deu certo em si próprio. Como já posto, o eleitor não costuma analisar os detalhes. Vota ou não, e ponto.
Se já não refletiu, Ricardo deveria refletir. A política exige paciência. Se não havia mais como harmonizar a sua relação com a prefeita Emília, apoiar o candidato ao Governo do Estado, Valmir de Francisquinho, e disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal, uma aproximação do grupo governista – também pensando no Poder Legislativo – seria um caminho menos difícil que o escolhido.
Ricardo Marques é um político jovem. Teria – e tem – muito tempo para construir um projeto consistente, que lhe permitiria uma disputa majoritária com uma maior chance de vitória. Ele não precisaria excluir o sonho; apenas adiá-lo.
O contexto, contudo, não quer dizer que a eleição já está decidida, e que Ricardo não será o próximo governador. Longe disso. Ricardo está no páreo. Vivo. Quem decide é o eleitor. Mas é inegável que ele não teve, até hoje, a estrutura e a visibilidade que precisaria ter.






