Por Joedson Telles
“Ora, a fé é a confiança daquilo que esperamos e a certeza das coisas que não vemos” – Hebreus 11:1 (NVI).
O texto clássico da Epístola aos Hebreus que define a fé tem sido usado fora do sentido dado pelo Espírito Santo – que é alimentar no cristão a convicção de que Deus cuida do seu povo; e o faz para louvor da Sua glória.
Por heresia ou despreparo de líderes espirituais, Hebreus 11:1 tem servido para o ensino de uma teologia nociva, a qual inverte valores, criando um deus falso à disposição dos mais diversos propósitos do homem, em total desarmonia com o plano de Deus.
“A certeza de coisas que não vemos” é uma frase que isolada, interpretada fora do contexto bíblico alimenta o equívoco perigoso que tudo – sem exceção – pode ser obtido pela fé. O limite é a imaginação humana.
Os que aprendem a interpretar Hebreus 11: 1 desta forma torta, normalmente, priorizam as coisas materiais. O prazer não está em conhecer e amar a Deus cada vez mais; em servi-lo; em amar o próximo. Não demonstram alegria na gratidão ao Salvador. Antes, o foco está no que Salomão define muito bem como vaidade. “Tudo é vaidade” (Eclesiastes 1: 2).
O fato de às vezes o pleito humano coincidir com a vontade de Deus justifica os exemplos que socorrem aqueles que usam a fé de forma errada, mas conseguem respostas “positivas”. Mas isso está longe de ser a regra. Normalmente, não há a graça comum derramada por Deus; e sobra frustração. O sentimento de que faltou fé.
Na mesma Epístola, é possível contextualizar Hebreus 11: 1, e comprovar que a verdadeira fé é sempre atrelada ao plano divino. “… não abandonem a confiança que vocês têm; ela será generosamente recompensada. Portanto, vocês precisam perseverar, de modo que, depois de terem cumprido a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu” (Hebreus 10: 35, 36, grifo nosso).
Note, leitor, que a fé precisa ser amparada nas promessas de Deus, que espelham a Sua vontade. Deus não move uma palha sequer contra Seu desejo. A Sua mão abençoadora na vida do Seu povo é sempre precedida do Seu plano infalível. Isso fica claro nas páginas das Escrituras.
“Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo” (Hebreus 11:8, grifo nosso). Eis a verdadeira fé; a que agrada a Deus.
P.S. Ler todo o capítulo 11 reforça o pressuposto defendido neste texto.






