Por Joedson Telles
“Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” – Filipenses 1:6 (NVI).
Certa vez, um pastor de uma igreja na qual eu congregava soltou a seguinte indagação: “Já pensou se ninguém aceitasse Jesus?” E prosseguiu: “ele teria morrido por nada.”
Fiquei – e acredito que a maioria dos irmãos idem – pensando na observação; inclinado a concordar. Ninguém aceitando Jesus seria uma expiação sem sentido para o mundo – e sofrida para Jesus. “Morreu de graça”, como é dito no popular.
Felizmente, aprendi lendo a Bíblia – e ao mergulhar na teologia da fé reformada – que aquela observação do pastor não faz sentido. Aliás, é impossível ser verídica. Textos como Filipenses 1: 6 mostram algo bem diferente: a soberania do Criador, mesmo existindo a responsabilidade humana.
“… ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (Filipenses 2:12,13).
Deus não apenas começou a boa obra como também não abre mão de terminá-la para a Sua glória. A salvação é, portanto, uma realização de Deus Pai, executada por Cristo e aplicada nos eleitos de Deus (Efésios 1; 4) pelo Espírito Santo – regeneração.
Nós, os crentes, não podemos conquistar a salvação por nossas obras. Não conseguimos alcançar a perfeição exigida por Deus; de quem o pecado nos afastou. É a graça salvífica de Deus que repousa no seu povo, através da obra de Cristo na cruz, assegurando a reconciliação. É Deus quem escolhe, e não o homem.
“Ninguém pode vir a mim (Jesus), se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:44). Isso também sepulta a ideia de o verdadeiro crente perder a salvação. Há a chamada perseverança dos santos; Deus, e não o homem, assegura não apenas o triunfo sobre o pecado e suas consequências, mas também a vida eterna no céu.
De perdidos e condenados ao inferno eternamente, somos, agora, filhos adotivos de Deus (Romanos 8:16), mediante a redenção que há em Cristo Jesus. É o que conhecemos como justificação. Só é possível através da fé no salvador; e até a fé não é mérito nosso.
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8,9).
Ressalto, por fim, que a justificação é um ato único e instantâneo: creu em Cristo Jesus como o único e suficiente salvador, o crente está justificado. Mas a salvação também envolve a santificação, que é um exercício piedoso diário andando com o Espírito Santo, até o dia que Jesus voltará, e, finalmente, a boa obra será concluída com a glorificação.
Diferente da justificação, entretanto, na santificação há participação do ser humano, que precisa perseverar. As obras dos homens não salvam. Mas são importantes. Quando seguem a fé em Cristo são evidências da salvação. “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Efésios 2: 10).






