“Chegará o momento em que nosso agrupamento apresentará um projeto”, garante
Por Joedson Telles
Pré-candidato ao Senado Federal, o ex-senador Eduardo Amorim recorre ao livro bíblico de Eclesiastes para assegurar que a oposição sabe lidar com o tempo. “… para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu”, replica Eduardo Amorim, que define como ilusão a ideia de o grupo governista vencer as eleições 2026 por W.O. “Chegará o momento em que nosso agrupamento apresentará um projeto voltado para o progresso do nosso estado e do nosso povo”, afirma Eduardo, nesta entrevista que concede ao Universo, neste sábado, dia 13.
Como avalia o momento político de Sergipe?
Pela primeira vez na história de Sergipe, a gente se depara com um clima eleitoral antecipado, inclusive com chapa majoritária sendo oficialmente apresentada no ano anterior ao pleito democrático popular. Mais de 10 meses antes de os milhares de sergipanos irem às urnas, já tem agrupamento consolidando composição. Respeito a opinião e a forma de pensar de cada um, bem como torço para que tenhamos um calendário eleitoral, sobretudo em 2026, marcado pela postura republicana entre todas as partes envolvidas neste processo.
O que o eleitor pode esperar da oposição?
Uma composição competitiva. No livro Eclesiastes (capitulo) 3 há uma citação que trago para a vida: “para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu”. Chegará o momento em que nosso agrupamento apresentará um projeto voltado para o progresso do nosso estado e do nosso povo. Entendo que o momento é de múltiplos diálogos e construções de ideias, unificação de propostas e ouvir os anseios dos mais de 2,2 milhões de sergipanos. Em 2026, estaremos, mais uma vez, em sintonia com o desejo popular.
Como o senhor avalia comentários de que a eleição para o Governo do Estado será um WO?
Essa foi uma ideia plantada por quem é ligado a algum pré-candidato ou agrupamento político. Desde 1988, quando os brasileiros voltaram a escolher seus representantes, em nenhuma eleição majoritária estadual em Sergipe nos deparamos com apenas uma composição a ser estudada pelos eleitores. Observem que nos últimos anos, inclusive, nos deparamos com mais de duas chapas bastante competitivas. Entendo que para alguns há esse desejo de W.O., mas posso garantir que não passa de ilusão.
Como está a sua pré-candidatura ao Senado?
Nunca me senti tão preparado, diante da multiplicação de experiência e da disposição em trazer de volta para Sergipe o título de melhor senador do Brasil. Eu sei o caminho para reconquistar este reconhecimento nacional. Ouvindo o povo, trabalhando intensamente seja no Senado Federal e nos demais corredores do Congresso Nacional, proporcionamos inúmeros avanços que resultaram nesta titulação. Uma pesquisa realizada por profissionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro com o apoio de pesquisadores da Revista Veja. Nunca deixei de ouvir a voz dos sergipanos. Sigo atendendo pelo SUS e sendo muito bem recebido em todos os locais que visito. Disponho meu nome para o projeto de Senado em 2026, e, obtendo êxito, será mais um mandato do povo, com o povo e para o nosso povo.
O senhor sempre defendeu a construção de um hospital para pacientes oncológicos. Estamos vivendo essa realidade. Qual o seu sentimento?
Emocionei-me bastante nos últimos dias e compartilhei nas minhas redes sociais alguns recortes destes momentos. Este foi um sonho construído de forma coletiva em 2010 quando estava na transição entre os mandatos de deputado federal para senador. Recordo perfeitamente que criamos uma comissão com colegas médicos, enfermeiros e pacientes oncológicos, quando pusemos nas ruas a ‘Caravana pela Saúde’. Conquistamos mais de 220 mil assinaturas, entreguei pessoalmente este documento para o Ministério da Saúde, e, desde aquele momento, iniciamos diálogos com a bancada sergipana em Brasília. Repassei mais de 200 milhões em emendas parlamentares, das quais, a grande maioria retornou aos cofres da União por ausência de condução administrativa responsável por parte do Governo de Sergipe. Apenas 8,9% das obras foram realizadas entre 2013 e 2022; os números demonstram que o Hospital do Câncer, infelizmente, por muitos anos não foi prioridade. Realizado este sonho, é hora de olhar pra frente: Sergipe precisa de um Hospital de Clínicas e um Centro de Diagnóstico por Imagem. Esta é mais uma luta a qual tenho defendido.
Como avalia a gestão do governador Fábio Mitidieri?
Vai ficar marcado na história como o governador que fez uma concessão da Deso por 30 anos. Muitos optam por dizer que foi privatização mesmo. A chance real é que seja vendida em definitivo, após esse período de três décadas. Estou me referindo a uma empresa que possuía problemas, bastante criticada, mas com um cunho social imensurável. Água é vida, e sem ela não conseguimos viver por muito tempo. Mesmo com todos os problemas, muita gente hoje tem saudade da Deso, diante do péssimo serviço prestado pela Iguá.
E o governo Lula?
Uma gestão com as mesmas características do Lula I e II. Poderia avançar muito mais e um dos pontos que chama não apenas a minha atenção, mas também de todos os sergipanos, se refere à BR-101 que vai terminar o mandato do Lula III sem ser duplicada. Para o bem do país, defendo um nome novo que tenha a capacidade de oxigenar a gestão pública federal e possa proporcionar avanços reais para os brasileiros.
E o trabalho da prefeita Emília Corrêa à frente da PMA?
Um ano de muitos desafios e de avanços históricos. Emília em sua essência é aguerrida, resistente às pressões, sobretudo àquelas que flertam com o machismo estrutural. Devido a minha rotina no SUS, não tenho acompanhado diariamente as ações, mas posso citar alguns avanços que precisam ser destacados: respeito aos servidores públicos – sempre de portas abertas para ouvir as demandas da classe trabalhadora; realização de concurso público; melhoria na educação e na saúde; referência no âmbito da Segurança Pública, sob a condução do amigo André David; pavimentação de ruas e avenidas; melhoria do transporte urbano, da coleta de lixo e reorganização dos espaços públicos; respeito ao meio ambiente e valorização da classe artística. Isso sem falar das ordens de serviços já assinadas e do anúncio de construção do primeiro hospital veterinário público de Aracaju. Emília tem feito muito por nossa capital e vai fazer muito mais pelos próximos três anos. Tenho certeza que será um legado de múltiplos avanços.
Quais devem ser as principais pautas da eleição 2026, na sua opinião? O que precisa de uma maior atenção?
A saúde precisa de melhorias imediatas. Conforme citei há pouco, precisamos construir o Centro de Imagem, o Hospital de Clínicas e um Hospital do Servidor. Sou funcionário do SUS e passaria horas defendendo a melhoria do serviço prestado à população. Outra pauta necessária e urgente trata da geração de emprego. Volto a destacar: no momento certo, a gente apresenta as propostas consolidadas de acordo com a necessidade real dos sergipanos.






