Por Joedson Telles
E todos os caminhos levaram à Arena Batistão, na noite chuvosa e fria, da última quarta-feira, 3, em Aju. O primeiro jogo da decisão da Copa do Nordeste – Confiança x Bahia – foi visto por uma multidão, que deu de ombros ao tempo e lotou o estádio, colorindo-o de azul e branco.
Do torcedor desconhecido à prefeita de Aracaju, Emília, entre outras autoridades, postar fotos nas redes sociais comprovando a presença soou orgulho. O Confiança nunca esteve só.
O torcedor fez uma grande festa – dentro da Arena, com direito a fogos; e fora na recepção abrasada ao ônibus do time, na chegada ao estádio.
O poeta tornou lugar comum que o amor não tem explicação. E quem entende, minimamente, de futebol, mesmo antes de a bola rolar, já tinha a convicção da desvantagem do Confiança; do tamanho do desafio.
Enquanto o Bahia é o 4º colocado na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, o Confiança não conseguiu ficar entre os oito times que disputarão a próxima fase na terceira divisão. Há um oceano de distância técnica. Mesmo sem escalar todos os principais jogadores, o Bahia fez o chamado dever de casa. Vexame seria o contrário.
Futebol é amor, emoção, mas é dinheiro também. O orçamento do Bahia, que faz parte do grupo que comanda o milionário clube inglês Manchester City, é muito superior aos recursos que o Confiança dispõe para contratar jogadores.
Logo, a razoabilidade de quem prestigiou o time aracajuano – indo ao estádio ou assistindo ao jogo pela TV – repousa no fato de o Confiança ter chegado à final superando suas limitações.
Outros times da primeira divisão, como o Ceará, o Fortaleza, o Sport e o Vitória, este último foi eliminado da Copa do Nordeste pelo Confiança, em Salvador, têm orçamentos superiores também; e ficaram pelo caminho. Isso não pode ser desprezado. Seria usurpar a excelente campanha do Dragão.
“Mas 4 x 1 ?” A goleada sempre machuca quem perde, mas faz parte do futebol. O Real Madrid, maior time do mundo, já foi goleado. O City, o Barcelona, o Flamengo…
O Confiança nem pode se permitir ao luxo de ficar lamentando. No final de semana, terá o mesmo Bahia, no jogo de volta, em Salvador. Missão impossível devolver a goleada e se classificar, nos pênaltis? Em se tratando de futebol, não. Pode até meter 5 e levantar a taça.
Entretanto, é muito difícil o Confiança ser campeão. Seria (será?) um grande acidente de percurso, o Bahia deixar escapar a grande vantagem construída em Aracaju.
Jogar fechado – por uma bola, como se diz o jargão do futebol – para, no mínimo, evitar uma nova goleada é uma estratégia inteligente. O Confiança não precisa provar nada. A festa de ontem, antes de a bola rolar, e a compreensão do torcedor, após a goleada, não permitem a dúvida: o Confiança foi além das suas forças. Merece aplausos.






