Por Joedson Telles
Dispensa-se quaisquer comentários sobre a importância inquestionável do rádio, quando pratica o bom jornalismo, diga-se, para a construção de uma sociedade longe do embrutecimento. Cientificada e consciente, pronta a cobrar seus direitos constitucionais. Abrir microfone para ouvintes, contudo, requer discernimento ímpar. É um terreno minado por natureza. Sobretudo em ano eleitoral.
A figura escrota, conhecida como “rato de rádio”, um tirado a esperto que entra no ar para tentar favorecer um político que lhe paga – ou lhe pendura num Cargo Comissionado –, desgastando adversários deste político patrão, está sempre pronta para atacar, jogando baixo, inclusive. Sem nenhum constrangimento para mentir, por exemplo.
Em ano eleitoral, a imoralidade se agrava. Toda atenção é pouca. Há ratos que participam tanto de determinados programas que se confundem com comentaristas da emissora. Todos os dias estão no ar. O ouvinte muda para outra emissora, mas eles não tardam a participar do programa. Felizmente, não conseguem persuadir a maioria dos ouvintes. Também nem todos os âncoras abrem espaços para a aventura. E quando abrem e percebem a malandragem retiram do ar sem constrangimento.
Aliás, quem tem o mínimo de inteligência percebe que o discurso é pronto: direcionado para desgastar a imagem de certos políticos e aliviar erros de outros. Nota também que o mesmo rato que critica qualquer ação de determinado político – ainda que positiva – fecha os olhos para qualquer erro de outros políticos por maior que seja.
Evidente que o âncora do programa não pode atirar no coração da democracia e vetar, de pronto, a participação de todos os ouvintes. Há ouvintes e “ouvintes”. Ratos vão entre aspas. E não é justo penalizar toda a torcida por conta dos torcedores baderneiros.
Entretanto, é preciso inteligência, preparo para filtrar. Dar cabo ao palanque gratuito que um veículo preso a uma concessão pública não poderia jamis oferecer a aproveitadores prontos para tentar enganar. Seja o problema a disposição de fazer rádio, democraticamente, dando espaço a todos ou mesmo a conivência do âncora com a prática nociva, tem que acabar a nociva cultura.
Se os comunicadores querem mesmo ter coerência para cumprir o importante papel social de cobrar seriedade aos políticos, compromisso com o coletivo, precisam antes dar o exemplo e não permitir este jogo baixo à custa da singeleza dos não perspicazes. É aí onde nascem projetos falidos que beneficiam uma minoria, mas causam danos irreparáveis ao conjunto da sociedade.


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