Quando se trata de defender privilégios, benesses e espaços de poder – sobremaneira aqueles que melhor servem como rampa ou trampolim eleitoral -, a companheirada do PT não sente o menor pudor em ter de lançar mão de sua expertise na arte de escoicear aliados. Aliás, se na disputa intramuros as diversas correntes petistas se engalfinham a ponto de trocar farpas e lavar roupa suja em público, que esperar quando o inimigo a ser nocauteado pertence a uma agremiação vista e tida como mero satélite do Partido dos Trabalhadores?
Após três sucessivos governos do PT, os sem-terra continuam assentados às margens das rodovias à espera de uma gleba, os sem-teto permanecem ao relento e os sem-nada, como sempre, ainda vivem ao deus-dará, cumprindo sua eterna penitência. Nesse curral ora vermelho de vergonha, toda essa gente continua sendo tratada como boiada pelo neo-coronelismo petista. Cada segmento tem o seu padrinho progressista, o seu protetor oficial, uma espécie de patrono de todas as causas. E ai daquele que ousar transpor o umbral de um feudo confiado a uma dessas potestades!
O ex-superintendente da Caixa Econômica Federal em Sergipe, Luciano Pimentel, politicamente ligado ao senador Valadares (PSB), cometeu o gravíssimo erro de não atender com presteza e subserviência aos pedidos relacionados ao Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR). Foi o bastante para ser acusado de estar se utilizando do cargo em benefício de uma candidatura ao parlamento estadual. No imaculado PT ninguém jamais fez isso. Fundadas ou infundadas as acusações – que deverão ser oportunamente apuradas pelo Ministério Público -, serviram elas de mote para se deflagrar uma campanha virulenta contra o senador Valadares, cujo espaço nos governos estadual e federal está na mira dos radicais que assumiram recentemente a direção do PT em Sergipe.
Deixando ora de lado a sucessão federal, no plano estadual o maior prejudicado pelo ato dos talibãs petistas foi o governador Jackson Barreto (PMDB), ameaçado que está de não só perder o importante apoio de Valadares na disputa estadual como ter de enfrentá-lo como candidato ao governo, numa chapa apoiada pelo prefeito João Alves Filho (DEM) e pelo presidenciável Eduardo Campos (PSB).
O senador Valadares é do tipo tinhoso, daqueles que não levam desaforo para casa. Embora não goste de se envolver em polêmica, não se esconde nem arreda pé quando é chamado ao debate. Não vai ser fácil para Jackson Barreto convencê-lo a permanecer no bloco. As sereias cantam de um lado e os petistas o enxotam de outro. Sem sombra de dúvida, Valadares é o melhor adversário que o radicalismo petista poderia ter colocado no caminho de Jackson.




Tarde de sexta-feira, 15. Enquanto milhões de brasileiros comemoram o Dia da República nas praias, bares, restaurantes, lajes e espaços gourmet país afora, equipes da Polícia Federal visitam endereços nobres para cumprir os mandados de prisão expedidos pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Min. Joaquim Barbosa, contra doze dos gatunos que implantaram a república da social-roubalheira no primeiro governo Lula.
O senador Eduardo Amorim (PSC) é daqueles homens que abraçam uma causa – seja ela qual for -, com verdadeiro espírito de devoção. Pragmático, pouco dado a arroubos retóricos e debates estéreis, firmou-se como liderança política defendendo com vigor suas ideias e projetos em benefício do Estado, bem como colocando seus mandatos e sua estrutura no Congresso Nacional à disposição de representantes dos mais variados segmentos sociais que demandam a capital federal em busca de apoio para o equacionamento dos seus problemas.
O julgamento da Ação Penal 470, mais conhecida como Processo do Mensalão, terá, na sessão desta quarta-feira (18/09), um dos seus capítulos mais dramáticos e, por que não dizer, emocionantes, independentemente do resultado a ser alcançado: 6 votos a 5, a favor ou contra a admissão dos embargos infringentes para os réus que, embora condenados, obtiveram ao menos 4 votos em favor da absolvição.