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O pastor e a acusação de assédio II

Por Joedson Telles

“Pois quem obedece a toda a lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente” – Tiago 2: 10 (NVI).

Volto ao caso do pastor conhecido no meio reformado que foi acusado de assédio contra uma ex-funcionária da igreja que ele pastoreava; o verbo no passado lembra que ele pediu licença e não é mais o titular do púlpito.

O afastamento, em harmonia com o conselho da igreja, é, sem dúvida, a decisão mais lúcida para mitigar o problema. Não podemos voltar o tempo e evitar o pecado. Vida que segue.

Mas segue de qualquer jeito? Evidentemente que não. A igreja séria e comprometida com o evangelho de Jesus Cristo está preocupada, em primeiro lugar, com a glória de Deus. A devida adoração ao Criador precisa ser o sentido. Para isso, contudo, o amor de lideranças e membros precisa imperar. Foi o amor que levou Jesus Cristo à cruz, e sem cruz e ressurreição não há Cristianismo.

Desta forma, espero – e acredito que a maioria dos cristãos também – que a igreja não pare no afastamento, mas cuide da ex-funcionária e do pastor com o devido zelo. Dela por questões óbvias e dele, além disso, pela missão que toda igreja precisa exercitar para que pecadores se arrependam e sejam regenerados no poder da Palavra de Deus.

Há muitas direções bíblicas que levam ao mesmo lugar. Optei por Tiago 2: 10. Creio que um olhar atento à passagem devolve aquele que só sabe criticar à posição de pecador. Ninguém consegue cumprir toda a lei. Todos nós pecamos.

Tiago é claro: pecou, a pessoa quebra a lei inteiramente. Percebeu, leitor (a), o perigo de se pendurar numa rede social externando condenação? Em sintonia com Tiago, podemos ter certeza de que o crítico não difere do seu alvo. Ambos pecaram. Pecam. Pecarão. O detalhe é que o piedoso se arrepende e ora por perdão; o ímpio só empilha pecados.

No caso em foco, devemos considerar, por fim, que o pastor tropeçou, mas isso não anula o seu trabalho na obra do Espírito Santo – seja no púlpito, na liderança eclesiástica, através da literatura, na gestão de tarefas internas e externas da igreja… É inegável o serviço prestado em prol de almas  que estavam perdidas. Foram quase 30 anos como pastor titular, até se licenciar, na semana passada.

Tudo que o inimigo quer é que pessoas que pregam o evangelho caiam e não deixem mais o solo.  Não esqueçamos a batalha espiritual (Efésios 6: 10-13). Deus, entretanto, é amor, e está sempre receptivo a um coração quebrantado. Como bom pai, Ele perdoa quando há o arrependimento sincero.

Acredito que o pastor é um homem de Deus. Pecador como todos nós, mas provou ser um cristão a serviço de Deus em muitos momentos. Bem cuidado, voltará mais forte à obra do Espírito Santo – sendo ou não pastor titular. Aliás, servo é servo independente do cargo. Seus frutos para o Reino de Deus têm sempre raiz em Jesus Cristo.

Modificado em 20/09/2026 06:33

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