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Laércio defende produção nacional de fertilizantes como estratégia para soberania e competitividade do Brasil

O senador Laércio Oliveira (PP-SE) defendeu nesta segunda-feira (14), em São Paulo, o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes como estratégia para reduzir a dependência externa do país e ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional. O tema foi abordado durante o Seminário Brasil Hoje, promovido pela Esfera Brasil, que reúne autoridades e lideranças empresariais para discutir os principais desafios para o desenvolvimento do país.

Laércio participou do painel “Soberania e Competitividade no Mercado Global”, ao lado do CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni; do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; e do presidente da Qualcomm para a América Latina, Luiz Tonisi. O debate teve mediação do jornalista Sidney Rezende.

Durante o painel, o senador falou o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Profert) de sua autoria – que foi aprovado pelo Congresso e sancionado pela Presidência da República – como exemplo de uma política voltada à redução de vulnerabilidades estratégicas do Brasil.

Soberania e competitividade

“Fertilizante não é apenas um insumo agrícola. É uma questão de soberania nacional. O Brasil é uma potência na produção de alimentos, mas não pode continuar tão vulnerável a crises internacionais, conflitos geopolíticos e problemas logísticos que acontecem a milhares de quilômetros daqui e acabam afetando diretamente o nosso produtor”, afirmou, lembrando que com a nova lei, o país precisa começar a produzir fertilizantes.

Laércio chamou a atenção para o contraste entre a posição do Brasil como um dos grandes produtores mundiais de alimentos e a elevada dependência externa de fertilizantes necessários para sustentar essa produção. Para o senador, aumentar a capacidade produtiva brasileira não significa abandonar o comércio internacional, mas garantir maior segurança ao país diante de eventuais crises externas.

“Não estamos falando em deixar de importar. Estamos falando em reduzir vulnerabilidades. Um país que tem a dimensão e a importância do Brasil para a segurança alimentar mundial precisa também ter segurança sobre os insumos que sustentam a sua produção”, destacou.

O ministro do Desenvolvimento Márcio Rosa concordou que o Brasil precisa avançar na redução da dependência de fertilizantes importados, mas ponderou que esse é um processo que exige planejamento e não ocorrerá de forma imediata. Segundo ele, a expectativa é reduzir gradativamente essa dependência, com a perspectiva de chegar a 2050 importando cerca de metade da demanda nacional. Segundo ele, os primeiros bons resultados acontecerão em 5 anos.

“O mais importante é o Brasil ter uma legislação capaz de gerir essa crise potencial. Precisamos, por exemplo, de estoques estratégicos de fertilizantes para não corrermos o risco de um rompimento das cadeias globais, como observou o senador”, afirmou.

O ministro também defendeu a diversificação dos fornecedores e ressaltou a importância da diplomacia para garantir maior segurança ao abastecimento brasileiro. “Precisamos nos relacionar geopoliticamente com todos os parceiros possíveis, sem privilegiar determinados fornecedores. Rússia e países do Oriente Médio estão entre os nossos principais parceiros”, disse.

Márcio Rosa lembrou ainda uma distorção que, durante anos, prejudicou a competitividade da indústria nacional: enquanto fertilizantes produzidos no Brasil eram tributados, os produtos importados entravam no país com tarifa zero. Para ele, fortalecer a produção doméstica passa também pela criação de condições mais equilibradas para que a indústria brasileira possa competir com o produto estrangeiro.

Política de longo prazo

Ao abordar o Profert, Laércio ressaltou ainda a importância da construção de políticas de longo prazo para setores considerados estratégicos. Para ele, o Brasil precisa criar um ambiente que dê segurança aos investimentos privados e permita ao país ampliar sua capacidade de competir internacionalmente.

“O Brasil já mostrou ao mundo que sabe produzir alimentos com eficiência e competitividade. Agora precisamos fortalecer os setores estratégicos que dão sustentação a essa produção. Produzir mais fertilizantes no país significa fortalecer nossa indústria, nosso agronegócio, nossa segurança alimentar e a capacidade do Brasil de decidir o próprio futuro”, afirmou.

O Seminário Brasil Hoje está em sua quarta edição e, além de soberania e competitividade, tem na programação discussões sobre cenário eleitoral, inteligência artificial, produtividade, segurança pública, saneamento, economia e contas públicas. Entre os participantes desta edição estão ministros, parlamentares e dirigentes de algumas das principais empresas e instituições do país.

Enviado pela assessoria

Modificado em 14/09/2026 17:53

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