O senador Flávio Bolsonaro, que disputou a eleição presidencial e foi derrotado nas urnas pelo presidente Lula, foi no mínimo infeliz ao se pronunciar após o resultado do segundo turno, no domingo (25) – Lula 64.256.232 (51,79%) e Flávio 59.826.041 (48,21%).
Flávio poderia perder de cabeça erguida, ao fazer o básico: apenas agradecer aos eleitores que votaram nele; não foram poucos. Poderia também ir além e desejar sucesso ao adversário reeleito, em nome do melhor para o Brasil, e até ajudar o país. Tinha também a opção de colocar em prática um gesto grandioso, reconhecendo a vontade das urnas. Ele não perdeu para qualquer um, mas, apertado, para o maior líder político da história do Brasil.
Uma postura mais inteligente e humilde do senador Flávio Bolsonaro não apenas o fortaleceria como o principal nome para a eleição presidencial de 2030, quando Lula sequer poderá ser candidato, como também daria mais credibilidade à oposição que, certamente, fará ao novo governo Lula.
Flávio, contudo, escolheu a contramão. Descartou cair de pé. No seu curto pronunciamento, após o resultado das urnas, ele prometeu tentar anular na Justiça a vitória de Lula.
A opção de Flávio tende a ofuscar o fato de ele ter disputado uma eleição presidencial pela primeira vez, ter vencido no primeiro turno e não ter sido eleito no segundo por uma diferença mínima de votos, mesmo tendo como adversário um consolidado Lula.
A imagem de um político jovem que bateu de frente contra uma lenda da política do Brasil, e perdeu por uma pequena diferença, foi jogada ao segundo plano pelo próprio Flávio Bolsonaro. Pior: a postura nada republicana pode ser perpassada aos seus eleitores mais radicais. Já vimos no chamado 8 de janeiro que nem todo eleitor sabe perder.
Flávio Bolsonaro, em seu curto pronunciamento, usou o vocábulo “sacanagem”. Apesar de ser um termo chulo, talvez seja o mais apropriado; não para resumir o que afirma que fizeram contra ele, mas o que ele mesmo avocou para si, ventilando verbos infelizes.
Modificado em 26/10/2026 09:29