Marcado para a próxima sexta-feira, dia 23, o debate entre os candidatos à Presidência da República, Lula e Flávio Bolsonaro, na Globo, está sendo visto como a última bola do jogo que está empatado, segundo as pesquisas. Na porta da eleição, uma jogada certa pode significar a vitória. Do mesmo modo, um lance infeliz tende a colocar a taça nas mãos do capitão do time adversário para ser erguida.
Obviamente, sem dados científicos, qualquer análise política, neste momento, se baseia em experiências de outros pleitos, na história do atual, em entrevistas dos jogadores, digo, dos candidatos e de participações (deles e de aliados) nas redes sociais.
Com isso em mente, podemos arriscar possíveis táticas em busca do placar favorável. Peguemos a principal: não repetir erros vistos no primeiro debate. A repercussão não foi boa. Os dois candidatos foram duramente criticados pelo nível rasteiro e, sobretudo, pela falta de zelo com a verdade, em determinados momentos. Uma partida com gol contra dos dois lados.
É claro que um debate sem críticas construtivas, sem apontar erros do rival, sem o devido alerta sobre inverdades tende a ser morno, beirando o frio. Partida amistosa. Usar 100% do tempo apenas para apresentar propostas levaria ao tédio, já que isso vem sendo feito vastamente nas campanhas – seja no horário eleitoral, nas ruas ou nas redes sociais.
O eleitorado gosta do embate, mas em alto nível. Bicicleta, cavadinha, lençol, elástico, drible desconcertante, assistência de letra… Nada de canelada, furada, cotovelada, pisar na bola.
Logo, o desafio dos candidatos é justamente não baixar o nível, mas demonstrar que têm mais qualidade que o adversário. O preparo e a responsabilidade exigidos para ocupar o mais alto cargo político são inegociáveis, assim como um time de futebol não negocia seu compromisso com a vitória.
Na partida final, Lula e Flávio precisam ter isso em mente, se quiserem usar o debate para agregar força ao conjunto de ações que constroem uma vitória. O candidato não precisa ser impecável. Não é necessário um golaço. Tampouco aplicar uma goleada. O básico placar de 1 x 0 pode ser o suficiente para quem quer ser campeão; ou, se preferir, eleito.
Modificado em 21/10/2026 11:45