“… tudo posso naquele que me fortalece” – Filipenses 4:13 (ARA).
O apóstolo Paulo não soltou a frase que abre este texto ao vento, como, lamentavelmente, atestamos não poucas vezes em outras bocas. Tampouco foi movido por enganosos sentimentos, que se confundem com a verdadeira fé. Há um pleno sentido real no externar e toda uma ligação com um contexto subserviente à vontade de Deus. Paulo está em Cristo.
O ponto e vírgula posto antes do “tudo…” faz a perfeita conexão entre a disposição do apóstolo em viver naquele que lhe fortalece e à sua vocação inquestionável para ser santo – separado do mundo para o Evangelho.
“… aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (v.11-13, ênfase acrescentada). O contentamento de Paulo está em Cristo.
Eis o oceano a separar o sentimento de Paulo do sentimento de outras pessoas, ao se valerem da mesma frase. Enquanto usada como a Palavra de Deus pelo apóstolo carrega a indiferença às circunstâncias em nome da fé na infalibilidade da bondade do próprio Deus; quando usada de qualquer outro modo, não passa de ignorância. Só confirma um modo de viver distante do que agrada Deus.
Percebamos que, quando se usa a frase diferente do sentido que Paulo registrou, sob a inspiração do Espírito Santo, tende-se a achar que este “tudo posso” espelha a execução da vontade própria da pessoa, e não, como Paulo ensina, da vontade de Deus. Há, além da ignorância já mencionada, uma flagrante dose gigantesca de arrogância.
O apóstolo Paulo, ao contrário, demonstra contentamento em viver, de acordo com a vontade soberana de Deus, mesmo que isso tenha significado passar por todo tipo de sofrimento, como ele mesmo descreve, em 2 Coríntios 11: 23-27.
“… muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez”. Depois morreu decapitado, em Roma.
Paulo, portanto, cunhou com propriedade a frase “tudo posso naquele que me fortalece”. Seu contentamento está em Cristo Jesus, e não em coisas materiais. Ele não mencionou as sábias palavras confiando no próprio braço para conseguir contentamento em algo que viu na vida de outra pessoa e desejou para si. O apóstolo elege como exclusivo o senhorio de Cristo como gratidão pela obra salvífica na cruz. Precisamos seguir este bom e sábio exemplo; até porque não sofremos na mesma intensidade por misericórdia de Deus. Somos pecadores.
Modificado em 20/10/2024 08:55