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Rogério alerta para relativização da verdade

Senador do PT afirma que 08 de janeiro foi tentativa de golpe contra a democracia

O senador Rogério Carvalho (PT/SE) fez um discurso contundente nesta quarta-feira, 12, durante a reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, que realiza sabatina dos indicados ao Superior Tribunal Militar (STM), à Procuradoria-Geral da República (PGR), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Durante sua fala, Rogério Carvalho fez um alerta sobre o que chamou de “relativização da realidade e dos fatos” e associou esse comportamento à fragilização das instituições democráticas.

“Quero chamar a atenção para o fato de que estamos vivendo uma certa relativização da realidade, dos fatos e das interpretações sobre os acontecimentos. E isso é um passo terrível para esfarelar, transformar em pó qualquer construção de sociedade e, até mesmo, de institucionalidade”, afirmou o senador.

Pandemia e desinformação

Para o parlamentar, a negação de fatos comprovados, como o que ocorreu durante a pandemia de Covid-19 e os ataques golpistas de 8 de janeiro, compromete a própria noção de verdade e justiça.

“Se os fatos passam a ser relativizados a partir do olhar de quem relata um determinado acontecimento, e não com base em critérios objetivos que qualifiquem esses fatos, desaparece a base para qualquer tipo de análise, abordagem institucional ou jurídica”, pontuou.

Rogério Carvalho relembrou os 700 mil brasileiros mortos pela Covid-19, criticando o negacionismo e a postura do então presidente da República, que, segundo ele, propagou desinformação e minimizou os riscos da doença.

“Não foi ninguém que disse: foi o próprio presidente da República, à época, que chamou a Covid-19 de ‘gripezinha’, que afirmou que ‘os fortes sobreviveriam’ e ‘os fracos morreriam’. Foi ele mesmo quem propagou a cloroquina, quem disse que a vacina não tinha importância e que modificaria geneticamente as pessoas”, lembrou o senador.

Segundo ele, “essa desinformação foi mortal e levou milhões de brasileiros a comportamentos de alto risco, o que resultou em mais de 300 mil mortes evitáveis”.

“Foi tentativa de golpe, não há inocentes”

Em seguida, Carvalho fez uma conexão direta entre a manipulação da verdade durante a pandemia e a narrativa golpista construída antes dos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando extremistas invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.

“Dizer que o 08 de janeiro foi uma mera movimentação de pessoas desorientadas é falso. Essas pessoas estavam acampadas e insufladas ao lado dos quartéis. Foram alimentadas e treinadas para agir. Isso não existiu?”, questionou.

Com isso, Rogério Carvalho também recordou as tentativas de deslegitimar o resultado das eleições de 2022, citando a manifestação pública do então presidente do PL que pedia a anulação das eleições majoritárias. “Vamos negar que houve a construção de toda uma ideia de que as eleições foram ilegítimas? Não dá para negar. Houve uma articulação política e comunicacional para enfraquecer as instituições e corroer a confiança do povo na democracia”, disse.

“Eu vi quando invadiram o Congresso Nacional, o STF e o Palácio do Planalto. E o que são essas instituições? São os símbolos do Estado Democrático de Direito, da República, da institucionalidade”, acrescentou.

Carvalho classificou o episódio como uma tentativa de golpe, reforçando que a lei que embasou as condenações dos envolvidos foi a mesma que ele relatou no Senado, que trata da tentativa violenta de abolição do Estado Democrático de Direito.

“A lei que embasou o julgamento foi justamente a lei que cria os tipos penais para a tentativa de golpe. E foi isso o que houve: uma tentativa de golpe. Não há inocentes. Quem estava ali sabia o que estava fazendo”, reforçou.

Além disso, o senador destacou que negar a realidade é ferir o próprio alicerce da democracia e que a verdade e as instituições devem prevalecer sobre as narrativas.

“Negar os fatos é negar a própria condição de estar vivo e de testemunhar a história. O Brasil precisa de leis, instituições fortes e de uma atuação ilibada daqueles que defendem o Estado Democrático de Direito”, concluiu.

Enviado pela assessoria/Foto: Daniel Gomes/Assessoria de Comunicação

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