Rogério Carvalho demonstrou preocupação com o agravamento dos casos de feminicídio e destacou a necessidade de enfrentar o problema em sua raiz estrutural. “Essa é uma situação que vem se agravando, e isso tem a ver com a forma como estamos lidando com o comportamento e com a tolerância a determinadas práticas. Por isso, inclusive, aprovamos a lei contra o crime de misoginia”, afirmou.
O senador ressaltou, com isso, que a violência contra a mulher está diretamente ligada a uma construção social que naturaliza a desigualdade de gênero. “Existe uma lógica que reforça a ideia de que o homem é superior à mulher. Isso cria uma autorização silenciosa para o controle, para a posse, como se a mulher fosse propriedade”, disse.
“Portanto, precisamos massificar esse debate e ir às entranhas da sociedade, questionando comportamentos que são reproduzidos em ambientes religiosos, familiares e sociais. O feminicídio não começa no crime, começa na cultura”, pontuou.
Críticas ao uso de pesquisas eleitorais como ferramenta de campanha
Outro ponto de destaque da entrevista foi a crítica contundente ao uso de pesquisas eleitorais como instrumento de propaganda política. “As pesquisas eleitorais viraram material de campanha. Assim como se faz um santinho, se usa a pesquisa para passar a ideia de que um candidato está na frente”, alertou.
Segundo Rogério, essa prática pode distorcer a percepção da realidade e influenciar indevidamente o eleitorado. “Isso desinforma e é muito ruim para a democracia. Existem pesquisas sérias, principalmente as de consumo interno, mas muitas são utilizadas com objetivo político claro”, explicou.
Ele também levantou o debate sobre possíveis medidas para conter abusos, embora reconheça a complexidade do tema. “Não sei se proibir resolve. Já existem mecanismos de punição. Mas o mais importante é conscientizar a sociedade de que muitas dessas pesquisas são, na prática, propaganda eleitoral”, apontou.
Experiência política reforça alerta sobre distorções eleitorais
Com base em sua trajetória, Rogério Carvalho apresentou exemplos concretos para sustentar suas críticas ao uso indevido de pesquisas. “Em 2014, eu aparecia 27 pontos atrás a menos de uma semana da eleição e o resultado foi uma diferença de menos de 3 pontos. Em 2018, eu era apontado como sexto colocado e terminei em segundo”, relembrou.
Ele destacou que, em ambos os casos, tratava-se de levantamentos de alcance nacional, o que, segundo ele, agrava ainda mais o impacto das distorções. “Isso artificializa cenários. Por isso, é importante que as pessoas entendam: pesquisa também pode ser usada como ferramenta de propaganda”, concluiu.
Por assessoria de Comunicação/ Foto: Janaína Santos/Assessoria de Comunicação