De acordo com a técnica de referência em Letramento Racial da Semed, Valdinete Paes, o projeto nasceu da necessidade de cumprir a legislação educacional e fortalecer o enfrentamento ao racismo dentro das unidades de ensino. Segundo ela, a proposta é iniciar esse processo ainda na educação infantil, formando gerações mais conscientes e respeitosas com as diferenças.
Valdinete destacou ainda que já é possível perceber resultados positivos entre os estudantes, especialmente no fortalecimento da autoestima das crianças. “Hoje muitas meninas já assumem seus cabelos crespos, usam tranças e se reconhecem como bonitas”, afirmou. Além disso, explicou também que o Projeto Curumim vem sendo ampliado para outras escolas da rede, sempre respeitando a realidade de cada comunidade escolar.
A coordenadora da Comissão de Monitoramento do Plano Municipal pela Primeira Infância, Kelly Oliveira, ressaltou que o Projeto Curumim integra as metas previstas no Plano Municipal pela Primeira Infância. Segundo ela, a iniciativa busca levar às crianças conhecimentos sobre culturas indígenas e afro-brasileiras desde os primeiros anos de vida.
“Quando investimos na base do desenvolvimento infantil, evitamos no futuro situações de preconceito, discriminação e violência”, explicou Kelly. Ela reforçou que a meta é que todas as escolas da rede municipal desenvolvam ações voltadas à educação étnico-racial.
A coordenadora pedagógica Genilza Santos destacou que a unidade trabalhava a temática indígena, mas neste ano as atividades ganharam novo impulso com a chegada do projeto. Durante a semana, as crianças participaram de ações envolvendo arte, dança, música e brincadeiras ligadas à cultura indígena.
A escola recebeu integrantes do povo Kariri-Xocó. “Foi um momento especial para nossas crianças e também para as famílias, que participaram e contribuíram com entusiasmo”, afirmou Genilza.
A professora da rede municipal Sonia Oliveira destacou que a educação antirracista precisa estar presente no cotidiano escolar e não apenas em datas comemorativas. Segundo ela, o trabalho pedagógico deve estimular desde cedo o reconhecimento da diversidade presente na sociedade.
“É importante que as crianças compreendam que somos diferentes, mas temos direitos iguais. Esse processo precisa acontecer durante todo o ano letivo”, pontuou.
Representando o povo indígena Kariri-Xocó, Ianna elogiou a iniciativa da rede municipal e destacou a importância da aproximação entre escolas e comunidades tradicionais. Para ela, levar os povos indígenas para dentro das unidades de ensino contribui para preservar a cultura e compartilhar saberes com as novas gerações.
Foto: Ronald Almeida / PMA