A iniciativa foi discutida durante reunião realizada nesta quarta-feira, 12, com o médico sanitarista e professor da Unit, Almir Santana, responsável técnico pelo Programa Estadual de IST de Sergipe.
O encontro teve como principal pauta o Projeto Conecta Farolândia, que pretende aproximar as estratégias de prevenção dos territórios onde estão inseridas as comunidades tradicionais. A proposta é levar informação, orientação e insumos de saúde diretamente a esses espaços, considerando as características e a realidade de cada comunidade.
Entre as ações previstas estão rodas de conversa, atividades educativas e de sensibilização sobre prevenção às ISTs e ao HIV, além da disponibilização de preservativos e géis lubrificantes. O projeto também deverá divulgar estratégias de prevenção e cuidado, como a PrEP (profilaxia pré-exposição), a PEP (profilaxia pós-exposição), o autoteste para HIV e a vacinação.
Prevenção mais próxima das comunidades
Durante a reunião, foi discutida a possibilidade de os próprios terreiros funcionarem como pontos estratégicos para a disponibilização de preservativos e materiais educativos. A medida busca facilitar o acesso aos métodos de prevenção e ampliar o conhecimento da população sobre os serviços disponíveis na rede pública.
A proposta, no entanto, vai além da distribuição de insumos. A intenção é construir um diálogo permanente com lideranças e integrantes das comunidades, levando as informações de saúde para dentro dos territórios e respeitando suas tradições, culturas e formas de organização.
A iniciativa também contribui para o enfrentamento do preconceito e da desinformação relacionados ao HIV e às ISTs, fortalecendo uma abordagem baseada em informação, acolhimento, prevenção e garantia de direitos.
Outro ponto discutido foi a necessidade de identificar as comunidades tradicionais existentes em Aracaju. O levantamento deverá auxiliar no planejamento das ações e possibilitar a ampliação do projeto para outras regiões da cidade.
Inicialmente pensado para a região da Farolândia, o Conecta poderá, posteriormente, alcançar outros bairros, equipamentos públicos e entidades religiosas.
Integração entre diferentes áreas
A construção da proposta reúne diferentes setores da administração pública e instituições parceiras. Representantes da Diretoria de Direitos Humanos (DDH) da Semfas participaram da discussão, contribuindo para a articulação das ações sob a perspectiva da garantia de direitos e do respeito às comunidades tradicionais.
Também participaram representantes do Conselho Municipal de Participação e Promoção da Igualdade Racial (COMPPIR), entre eles a presidente do colegiado, Elisangela Santos, fortalecendo o diálogo entre o poder público e as comunidades.
Representando a Secretaria Municipal da Educação (Semed) no COMPPIR, Valdinete Paes destacou que a experiência desenvolvida na Farolândia poderá servir como ponto de partida para a expansão da iniciativa. “É um projeto inicial, mas nós tentaremos alcançar outros bairros e outros equipamentos”, afirmou.
Segundo Valdinete, a proposta tem caráter educativo e busca levar informações diretamente aos terreiros, incluindo orientações sobre prevenção ao HIV, vacinação e medidas de prevenção após uma situação de exposição.
“É um trabalho educativo de saúde e educação para os terreiros. No Conecta Farolândia, vamos alcançar também outros equipamentos e outras entidades religiosas”, ressaltou.
Experiência na prevenção às ISTs
A participação do Dr. Almir Santana agrega à iniciativa sua experiência na área de saúde pública e prevenção às ISTs e ao HIV/Aids. Médico sanitarista, professor do curso de Medicina da Unit e responsável técnico pelo Programa Estadual de IST de Sergipe, ele contribui para a articulação entre conhecimento acadêmico, políticas públicas e ações de prevenção.
Para o médico, ampliar o acesso às estratégias de prevenção é fundamental para alcançar públicos que ainda não utilizam plenamente os serviços e recursos disponíveis na rede de saúde.
“A gente precisa chegar também à população que ainda não está tendo acesso a essas estratégias de prevenção”, destacou.
A reunião representa mais um passo na construção de uma atuação integrada entre assistência social, saúde, educação e promoção da igualdade racial. A proposta é ampliar o acesso à informação e aos serviços de prevenção, levando as ações para mais perto das comunidades e fortalecendo a promoção da saúde e a garantia de direitos nos territórios de terreiro e de matriz africana.