A mesa de debate contou com as contribuições da Profa. Dra. Rita Bittencourt, docente do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Sergipe (UFS); da presidente da Liga Acadêmica de Saúde Mental, Inclusão e Cidadania da População Quilombola e outras Comunidades Tradicionais (Lasmic), Maria Isabel Barros; da presidente da Associação do Povoado Quilombo, Veroníca Batista e da presidente da Associação Quilombola Mestre Primo, Suely de Jesus.
A discussão aconteceu no auditório e reuniu as turmas do ensino médio da unidade. Ainda no início, duas alunas declamaram os poemas “A noite não adormece nos olhos das mulheres”, de Conceição Evaristo, e “Antirracismo”, escrito por Beatriz Nascimento. As circunstâncias foram planejadas pela administração municipal justamente para alcançar a juventude.
“Estamos no Julho das Pretas e sua grande representante é a Tereza de Benguela, que liderou o Quilombo do Quariterê. Então, é simbólico trazer esse debate com mulheres quilombolas aqui de Lagarto, abrindo espaço de debate em relação a suas lutas, identidades e protagonismos, sobretudo junto ao público mais jovem. A gente entende que é de suma importância adentrar no espaço da educação para quebrar estereótipos e paradigmas”, explica a coordenadora de Igualdade Racial na Seminc, Lúcia Vieira.
Para a professora Dra. Rita Bittencourt, o racismo está enraizado na sociedade brasileira e se manifesta de forma recorrente, o que causa sofrimento. Assim, promover esse diálogo com estudantes do ensino médio é uma forma de apresentar uma história frequentemente invisibilizada, fortalecer o reconhecimento das identidades negras e quilombolas como positivas, de maneira que, a partir da educação, um caminho para transformar essa realidade e construir um futuro mais justo e igualitário possa surgir.
“O racismo é estrutural. É uma chaga na estrutura social brasileira que se perpetua no cotidiano, às vezes reproduzida sem nenhum tipo de reflexão. Conversar com a juventude sobre o assunto é também dar a oportunidade de conhecer uma história apagada, resgatar e avivar o sentimento de pertencimento. E, assim, a gente consegue avançar, parafraseando a música: ‘eu vejo a vida melhor no futuro’.”, diz.
A presidente da Associação Quilombola Mestre Primo, Suely de Jesus, por sua vez, acredita que o momento de diálogo é uma oportunidade fundamental de compartilhamento de experiências e aprendizado para todos os participantes. “É muito importante, uma troca de conhecimentos. Significa fortalecer a cultura, entender melhor a nossa história e realidade. Costumo dizer que o nosso sobrenome é luta, por isso precisamos de ajuda, inclusive da juventude”.
A atividade realizada hoje reforça o papel das instituições de ensino na promoção de reflexões sobre relações étnico-raciais de maneira contínua, como ressalta a professora de língua portuguesa Catiana Santos Correia. “A gente vem desenvolvendo com frequência essas discussões por entender que elas são extremamente necessárias. A escola precisa oferecer referências aos estudantes, sobretudo em relação à negritude, diferentes das negativas. Em uma ação como essa, onde mulheres discutem o feminismo negro, o empoderamento e apresentam suas inteligências é muito potente”.
Ao aproximar estudantes, lideranças comunitárias e representantes da universidade, a administração municipal fortalece o diálogo, amplia o acesso ao conhecimento e incentiva a formação de uma sociedade mais justa, inclusiva e respeitosa com a diversidade.
Enviado pela assessoria