Neste 29 de outubro, Dia Mundial de Combate ao AVC, os dados reforçam a importância de identificar precocemente fatores de risco e garantir o acompanhamento dos usuários na Rede de Atenção Primária.
O CardioAju integra uma iniciativa idealizada pela Fundação Novartis, desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e a Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), parceira implementadora. Na rede municipal, o Cantinho CardioAju facilita o acesso ao rastreamento por meio de aferição da pressão arterial, verificação da glicemia e cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC). Quando são identificadas alterações, os usuários são encaminhados para avaliação e acompanhamento profissional.
Na Unidade de Saúde da Família José Machado de Souza, as ações também incluem atividades educativas em espaços comunitários e orientações durante visitas domiciliares. De acordo com a gerente da unidade, Mônica Porfírio, o trabalho busca ampliar o acesso à prevenção e estimular a população a acompanhar regularmente a própria saúde.
“Nós temos um projeto aqui, que é o CardioAju, uma iniciativa da Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, voltada à prevenção, ao rastreamento e ao controle de doenças crônicas não transmissíveis, com foco na hipertensão, no diabetes, na obesidade e no risco cardiovascular”, explica.
Ainda segundo Mônica, os procedimentos são realizados inclusive enquanto os pacientes aguardam atendimento, o que facilita a identificação de alterações que precisam ser investigadas. A unidade conta com seis equipes de Saúde da Família e 26 agentes comunitários de saúde, que orientam os moradores sobre a importância de verificar a pressão arterial e procurar os serviços de saúde.
“Quando identificamos alguma alteração na pressão arterial ou na glicemia durante o rastreamento do CardioAju, os pacientes são encaminhados para avaliação e acompanhamento médico. São medidas simples que estimulam a adesão ao tratamento e fortalecem o autocuidado, tornando o atendimento mais ágil e resolutivo”, destaca.
A importância de reconhecer os sinais de alerta é conhecida pela paciente Maria José dos Santos, de 58 anos, que já sofreu um AVC. Ela conta que acordou com a boca torta e procurou atendimento na unidade de saúde, onde foi informada sobre o episódio. Depois da experiência, passou a dar mais atenção aos hábitos diários e à continuidade do tratamento.
“Já conhecia, porque eu já tive um AVC. Acordei com a boca torta e procurei a unidade de saúde. Lá, me informaram que eu tinha tido um AVC”, relata.
Segundo Maria José, o episódio serviu de alerta para cuidar melhor da saúde, com mudanças na alimentação, prática de atividades físicas e uso regular dos medicamentos. Ela também destaca o apoio recebido na unidade para manter essas orientações no dia a dia.
“Depois que a gente passa por isso, procura ter uma alimentação mais saudável, fazer atividade física e cuidar melhor da saúde”, afirma.
Para a paciente, o acompanhamento e o incentivo dos profissionais são importantes para seguir o tratamento. “É muito bom, porque, se a gente não tivesse o apoio daqui, como é que ia seguir em frente? Sem o apoio da unidade e das pessoas, não teria como seguir”, acrescenta.
Patrícia Gomes Rodrigues, de 45 anos, que tem hipertensão, destaca como o rastreamento pode ajudar a identificar alterações ainda desconhecidas pelo paciente. Ela conta que descobriu um problema de saúde durante os exames do CardioAju e, a partir do resultado, passou a receber acompanhamento da equipe.
“Descobri uma alteração aqui, por meio desse projeto. Eu estava participando do CardioAju, fiz o primeiro exame e já deu alterado. A partir daí, comecei a ter acompanhamento com a equipe e acabei descobrindo o problema”, conta.
A paciente procura a unidade com frequência para aferir a pressão arterial, especialmente depois que o aparelho que utilizava em casa quebrou. Ela também busca atendimento quando percebe que não está se sentindo bem. Para a paciente, a proximidade com os profissionais facilita o acesso à assistência e oferece mais segurança para cuidar da saúde.
“Quando sinto que não estou bem, que estou sonolenta ou muito agitada, já corro para cá para aferir a pressão, é como se fosse minha segunda casa, porque é aqui que cuido da minha saúde. Sem saúde, a gente não é nada”, conclui.
Maria Inês dos Santos, de 61 anos, também paciente da USF, destaca a importância do acompanhamento realizado na unidade para manter os cuidados com a saúde. Embora nunca tenha sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ela mantém a rotina de prevenção e aproveita as visitas para verificar a pressão arterial. A paciente conta que costuma comparecer mensalmente para consultas de revisão e também aferir a pressão quando vai à unidade para realizar curativos.
“Vou dizer uma coisa com sinceridade: eu não gosto de médico, mas preciso. E gosto do atendimento daqui, a equipe do posto faz com que eu volte e me sinta acolhida. Esse cuidado, esse olhar mais sensível, fez com que eu perdesse o medo. Isso é muito gratificante, poder contar com esses médicos e com esse apoio”, relata.
Prevenção e sinais de alerta
Instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela World Stroke Organization, o Dia Mundial de Combate ao AVC busca conscientizar a população sobre os fatores de risco, os sintomas e a importância do atendimento rápido.
Entre os sinais de alerta estão boca torta, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração súbita da visão, perda de equilíbrio e confusão mental repentina. Diante de qualquer suspeita, é fundamental acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192, mesmo que os sintomas desapareçam.
A hipertensão arterial pode permanecer silenciosa e está entre os principais fatores de risco para o AVC. Manter a pressão controlada, seguir as orientações médicas, realizar consultas regulares, adotar uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas são medidas importantes para reduzir os riscos.
Com as ações do CardioAju e do Cantinho CardioAju, a Prefeitura de Aracaju fortalece o rastreamento e o acompanhamento de usuários na Atenção Primária, ampliando as oportunidades de identificação de fatores de risco e incentivando a população a manter os cuidados com a saúde.
Modificado em 29/10/2026 14:35