Entre 2020 e 2025, foram registradas 2.677 notificações de violência contra mulheres residentes em Aracaju pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/Viva). Desse total, 1.643 ocorrências aconteceram na própria residência das vítimas. Mais da metade dos registros corresponde a mulheres entre 18 e 39 anos. O município também contabilizou 229 notificações de violência autoprovocada associadas a situações de sofrimento agudo em contextos de vínculos tóxicos ou abusivos. Santa Maria, Santos Dumont e Olaria concentram o maior número de notificações.
Dados parciais referente a 2026 reforçam a necessidade do trabalho permanente de enfrentamento. Entre os meses de janeiro e junho, ocorreram 359 notificações. Quando comparado com o mesmo período no ano anterior, onde se registrou 224 ocorrências, houve um aumento de aproximadamente 60,3% nos casos de notificação.
Diante desse cenário, o Nupeva promove ações de educação permanente em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), no Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar), nas Unidades de Saúde da Família (USFs), hospitais e outros serviços da rede. As orientações abordam a Lei Maria da Penha, as políticas públicas de proteção às mulheres, a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a importância da notificação dos casos de violência como instrumento de cuidado e de planejamento das políticas públicas.
Segundo a referência técnica do Nupeva, Lidiane Gonçalves, a atuação dos profissionais deve começar pelo acolhimento e pela escuta qualificada, sem julgamentos, passando pela identificação de possíveis sinais de violência, notificação e encaminhamento para os serviços da rede de proteção. “A importância da atuação do profissional de saúde vai desde o acolhimento a essa mulher que sofre violência, tendo uma abordagem com postura ética, humanizada e sem julgamentos”, orienta.
Durante o mês, o trabalho também alcança espaços de formação profissional. O Nupeva realizou atividade na Universidade Tiradentes (Unit), com acadêmicos de Medicina, para discutir o papel do setor saúde no enfrentamento à violência contra as mulheres. “É importante que os futuros profissionais de saúde entendam o papel do setor saúde nesse enfrentamento à violência contra a mulher”, destacou a referência técnica do Nupeva.
A programação busca ampliar a preparação dos profissionais para reconhecer situações de violência e garantir o cuidado integral. “A orientação é que os profissionais estejam atentos aos sinais e ofereçam às mulheres o cuidado necessário, articulando os serviços de saúde e a rede de proteção para contribuir com a interrupção do ciclo de violência”, reforçou Lidiane Gonçalves.
Canais de ajuda
Para as mulheres que vivenciam situações de violência ou precisam de orientação, a rede municipal conta com serviços de apoio e proteção. Em situações de emergência, o canal indicado é o 190. A Central de Atendimento à Mulher, pelo 180, oferece orientação e encaminhamento, enquanto o 181 recebe denúncias no âmbito estadual.
Também estão disponíveis serviços como o Centro de Referência e Atendimento à Mulher (Cram) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Na área da saúde mental, o Serviço de Atendimento Psicossocial (SAPS) pode realizar acolhimento inicial pelo telefone 0800 729 3534, opção 3.
Modificado em 13/08/2026 14:15