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PMA retoma aulas da EJA para população em situação de rua no Centro Pop

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed), em parceria com a Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), realizou a entrega de kits escolares a 25 pessoas em situação de rua, matriculados no Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal José Duarte de Araújo. A ação ocorreu na última segunda-feira, 4, no Centro de Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP).

Os alunos receberam fardamentos, mochilas, materiais escolares e livros. As aulas para esses homens e mulheres em situação de rua que estão reiniciando os estudos acontecerão inicialmente na sede atual do Centro Pop, localizado na Rua Laranjeiras. No entanto, um novo imóvel já foi disponibilizado pela Prefeitura, para transferência da sede do centro especializado. O novo espaço vai possibilitar a abertura de novas turmas para a população em situação de rua atendida no Centro Pop.

Para a secretária da Educação, Edna Amorim, o ato representa mais do que viabilizar condições para esse público poder estudar e, posteriormente, alcançar metas profissionais. “As pessoas que vivem em situação de rua precisam do nosso apoio. A educação é fundamental, é um direito básico, assim como a alimentação. É preciso que eles retomem os estudos para recuperar a dignidade. Isso é importante para que eles transformem suas vidas”, afirmou.

A secretária da Família e da Assistência Social, Simone Valadares, explica que a retomada das atividades da EJA com esse público, após seis anos paralisado, representa um marco importante para a gestão da prefeita Emília Corrêa. “É isso que a nova gestão quer. Uma gestão humanizada para resgatar a cidadania dessas pessoas em situação de rua. Essas pessoas não tiveram a oportunidade na época correta. E, agora, voltamos o olhar para eles e estamos dando as condições necessárias para que se desenvolvam. Aqui, nós vamos colher frutos e ver vidas sendo transformadas”, avalia.

Garantia de direitos

De acordo com Ana Izabel Moura, coordenadora da EJA, essa população atendida terá todos os direitos dos alunos que estão matriculados em uma escola municipal, uma vez que eles estão ligados diretamente a uma unidade de ensino que será a certificadora. Ela esclarece ainda que a ideia inicial é que eles concluam o ensino fundamental, para depois serem encaminhados ao ensino médio. “Nós estamos garantido o direito que eles têm à educação”, frisou.

Segundo ela, o projeto vai proporcionar um acompanhamento feito por profissionais que estarão atentos a todas as dificuldades desses alunos, estimulando-os sempre para que se mantenham firmes em seus propósitos. A meta é que eles vislumbrem um futuro com mais possibilidades e longe dos riscos de viver nas ruas. “Eles aprendendo a ler e escrever, e com todos os ensinamentos, podem até se livrar de algumas situações que vêm vivendo e que desejam sair. A intenção também é esta: mostrar um novo caminho para eles”, declara Isabel.

Alunos enaltecem o programa

Assistido pelo Centro Pop há cinco meses, João Carlos Soares, de 52 anos, é um dos alunos inscritos no projeto. Natural do Rio Grande do Norte, ele conta que trabalhava como motorista, mas por conta de problemas com álcool e drogas, perdeu o emprego, houve o afastamento da família e começou a viver nas ruas. Ao saber do projeto da EJA voltado a pessoas em situação de rua, enxergou uma oportunidade de mudança e de recuperar o tempo perdido.

Ele narra que estudou até o quinto ano, mas diz que precisa recomeçar para abrir portas e sair da situação em que se encontra. “Eu estava até destreinado para ler e escrever. Aqui eu estou resgatando isso. Está sendo muito bom para mim. Nomes e palavras que eu estava esquecendo, aqui eu estou relembrando. Quero voltar a trabalhar, atualizar minha habilitação, meus cursos, que estão todos atrasados. Esse novo recomeço aqui nas aulas vai me ajudar muito a resgatar isso tudo que eu perdi”, diz João Carlos.

Vagner Bezerra, de 31 anos, também está entusiasmado com as atividades. Ele elogiou o atendimento que recebe no Centro Pop e a iniciativa da prefeitura de proporcionar o acesso à educação. Ele mencionou dificuldades no campo da leitura e escrita, e que sonha com melhorias em suas condições de vida, as quais ele acredita ser possível apenas por meio da educação. “Estudei apenas até o primeiro ano. Ia fazer o segundo, mas desisti, porque tive que começar a trabalhar. Estou aqui para aprender novamente, melhorar a leitura e conseguir um emprego”, concluiu.

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