“O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína” – Provérbios 13:3 (ARA).
Salomão passa longe de um olhar desatento lançado ao seu texto por terceiros. Ele não vela a abstinência dos verbos. Não condiciona a salvação da alma ao silêncio. Até porque, muitas vezes, nos calamos, mas pensamos; e tudo dito e pensado terá o mesmo peso no julgamento de Deus. Antes, o homem sábio quis não apenas enfatizar o peso das palavras para o bem e o mal, mas também reforçar a necessidade de refletir antes de falar.
Salomão “prepara o terreno” para Tiago 3: 7-9. “… toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus”.
Vai no mesmo caminho o pai que lança uma palavra negativa e marca o filho por toda a vida. Com uma palavra errada também é possível arruinar um casamento, uma família, uma antiga amizade, um futuro que seria brilhante.
Uma fala fora do tom já derrubou pastor de púlpito, desfez sociedades, arrasou carreiras, transformou pequenos deslizes no trânsito em cadeias e velórios.
Gaste seu precioso tempo lendo comentários sobre os mais diversos assuntos nas redes sociais e ateste in loco como a língua humana destila veneno por qualquer futilidade. A animosidade entre os que estão nos extremos da política e a prática de defender time de futebol agredindo outros torcedores são exemplos clássicos.
Mais alarmante é quando as agressões nas redes sociais são trocadas por pessoas que asseguram conhecer a Palavra de Deus. O antigo debate calvinistas x arminianos, por exemplo, espelha comportamentos nada coerentes com quem, de fato, vive para glorificar o Senhor. Não tem amparo nas Escrituras.
Cristo Jesus ensina que “… o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mateus 15:18,19).
O teólogo Jim Samra, por sua vez, resume a necessidade de domar a língua, ao escrever que “palavras erradas, ditas na hora errada e com atitude errada trazem morte”. Ele cita Génesis 3 para não deixar dúvidas. “… a serpente disse à mulher: é certo que não morrereis…” A mulher não apenas morreu como também arrastou a humanidade.
Tiago diz que “nenhum homem é capaz de domar a língua”. Está certo. Mas isso não quer dizer que não devemos tentar. Ao contrário, busquemos a santificação, caminhando de mãos dadas com o Espírito Santo. O homem é fraco, mas “… para Deus, tudo é possível” (Marcos 10: 27).
Modificado em 07/09/2025 08:55