“De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei… ” – Jeremias 31:3 (ARA).
A reflexão sobre o amor de Deus precisa ser feita o ano todo, óbvio. Também devemos amá-lo todos os dias. Mas, numa sociedade emotiva, que derrama lágrimas por cenas de novela na TV, o clima de Natal convida a abordar o assunto. É uma tentativa de despertar os que não espelham este amor.
O amor eterno de Deus pelo seu povo, repita-se, o amor eterno de Deus pelo seu povo – mesmo este mergulhado no pecado, e nem sempre dando o valor devido ao maior dos sentimentos – motivou a encarnação do próprio Verbo para resgatar almas.
O Natal, que deveria ser um momento de valorização do início desta obra salvífica, com o nascimento do Salvador, contudo, é diluído em festas, mesas fartas, presentes… Criou-se até a frase “Natal é família”; e é mesmo. Mas o aniversariante jamais pode estar em segundo plano – muito menos totalmente esquecido.
Mesmo assim, Jesus não tem o seu valor reconhecido por todos. A sua mensagem não é compreendida ou pior: não é posta em prática, mesmo sendo discernida.
Não precisamos ter em mãos estudos científicos para persuadir que o reconhecimento do amor de Jesus e o amor a Jesus não ocupam o topo numa sociedade secular.
Não me refiro apenas à indiferença aos inúmeros pobres que estarão com fome na noite de Natal. Só pensamos que “todo mundo fosse filho de Papai Noel”. Só pensamos…
Refiro-me também às redes sociais, e, por meio destas, ao pensamento dominante que passa longe do amor: vomitar ódio.
Peguemos como base uma operação policial feita aqui em Sergipe, em Socorro, na semana passada, que teve como desfecho a morte de quatro jovens. Deixemos à parte, por ora, que a investigação revelará se é verdadeira a versão da polícia (os jovens estavam armados e atiraram primeiro) ou a grita da família (houve execução).
As manifestações nas redes sociais (quase todas) foram no sentido de vibrar com as mortes. “Legalizar”, usemos esta palavra, a pena de morte que não existe no Brasil. Tudo açodado. Os “juízes” das redes sociais já emergem com o pensamento pronto.
Visivelmente, a vida perdeu o valor. A reação à morte de jovens – e podemos expandir por todo o país, não apenas é o caso registrado em Socorro – prova a falta de amor. A total desarmonia com o amar ao próximo.
Longe de querer aqui proteger pessoas que, segundo a polícia, agem à margem da lei. Não é isso. Mas assusta – ou deveria assustar – a forma gelada com a qual se aprova, de pronto, o óbito de um ser humano; sem levar em conta o vasto contexto do desfecho, sobretudo a dor de uma mãe…
Há muitas camadas descartadas quando se usa uma rede social para aprovar uma morte; e é justamente o amor – a Deus e ao próximo – que leva à empatia, à cosmovisão cristã necessária para equacionar o estado de caos vivido. O Natal é simbólico, mas é também um momento oportuno para refletir sobre a urgente necessidade de espelhar o amor de Deus.
Modificado em 21/12/2025 08:46