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Jovem Tech impulsiona profissionais para o mercado e fortalece o ecossistema de inovação em Aracaju

Uma ponte entre o fim do ensino médio e as oportunidades do mercado de trabalho na área de tecnologia. Essa é a proposta do programa Jovem Tech, iniciativa voltada à qualificação em tecnologias digitais, empreendedorismo e desenvolvimento da cidadania para jovens a partir dos 16 anos. O projeto é realizado por meio de parceria firmada entre o Instituto de Inovação de Sergipe (Inovase), a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico e Inovação (Semde), e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). As aulas acontecem no Caju Hub, espaço de inovação mantido pela gestão municipal.

O presidente do Inovase, Marcos Vasconcelos, explica que o programa surgiu a partir da constatação de uma realidade que se repetia ano após ano. “Nós percebemos que a juventude sergipana, de um modo geral, e a aracajuana, de forma específica, terminava o ensino médio e pouca gente ascendia à universidade. Do percentual que conclui essa etapa, uma parcela muito pequena dá continuidade aos estudos. Esses jovens a partir dos 16 anos se colocavam numa situação em que ou tinham que ir para um emprego ou subemprego e paravam de estudar, ou não conseguiam trabalhar nem continuar os estudos. No estado todo, esse número chegava a quase 40 mil pessoas por ano. Aracaju também tinha uma parcela muito grande desse total”, destacou.

Foi nesse cenário que a tecnologia se apresentou como alternativa concreta de mobilidade social. “A carreira em tecnologia era uma das possibilidades para que esses alunos que terminassem o ensino médio pudessem entrar em situação de emprego em um período que a gente considera rápido. O Jovem Tech tem duração média de oito meses. Passando por uma seleção mínima de interpretação de texto e lógica matemática, o aluno acessa um conjunto de conhecimentos que permite, nesse espaço de tempo, uma inserção efetiva no mercado de trabalho”, explicou.

De acordo com o presidente do Inove, o Jovem Tech é estruturado em módulos. Há uma formação básica, que contempla no-code, fundamentos de projetos e linguagens iniciais. Em seguida, o aluno pode avançar para o módulo mobile, com foco em desenvolvimento para dispositivos móveis, e para o back-end, voltado à construção de sistemas e soluções. “Dependendo do que o aluno quiser se tornar, ele pode ficar com a formação básica, que já atende ao mercado, ou avançar para outras linguagens. O que a gente entrega é a qualificação de desenvolvedor júnior”, completou Marcos Vasconcelos.

Marcos ressalta que o setor de desenvolvimento de software demanda profissionais qualificados. “Esse mercado é ávido por mão de obra e paga bem. Temos alunos que, ainda durante o curso, já estão empregados, recebendo entre R$ 2 mil e R$ 3 mil como desenvolvedores júnior. Ganhar um salário desse no início da carreira muda a própria realidade, a realidade da família e da comunidade onde ele está inserido. Cultura, aquisição de livros, computador, tudo isso passa a ser possível. O Jovem Tech é uma política pública em que a qualificação profissional auxilia a juventude a sair do lugar onde está e a ter mobilidade social, com emprego, renda e dignidade”.

Além do impacto individual, o programa também contribui para o fortalecimento do ecossistema de inovação da capital. “Um ecossistema de inovação é formado por grandes áreas, entre elas o fomento a novos negócios e a formação de mão de obra qualificada. Não existe ambiente tecnológico forte sem pessoas bem formadas. E essa formação precisa ser feita em parceria com o próprio ecossistema”, observou.

Motivando a nova geração

Para os alunos, o programa representa oportunidade concreta de transformação. Jonathan Nunes Vasconcelos, de 19 anos, ressalta a experiência de fazer parte do programa. “Eu conheci o curso através de outras pessoas que me falaram sobre o curso, fiz a inscrição, entrei e me apaixonei. Tivemos projetos em que usamos módulos anteriores e conteúdos novos que ainda vamos aplicar no futuro. Um dos trabalhos que eu mais gostei foi a criação de um site, quando percorremos a Atalaia procurando estabelecimentos que precisavam desse serviço. Foi um processo muito bom. O curso abre muitas portas para quem não tem tanto contato com tecnologia. Tem gente que nunca tinha ligado um computador e hoje já sabe muito mais. Vai aprimorando os conhecimentos e expandindo as possibilidades de atuação”, disse.

Victoria Eduarda Bonfim Carvalho, de 23 anos, também destaca a experiência prática e a estrutura do Caju Hub. “Sou iniciante na área, então a inscrição no curso foi como um sinal de que era a hora de entrar de vez. Já estou na reta final e foi muito aprendizado. Tivemos contato com várias áreas da tecnologia e estamos nos encaminhando para o projeto mais completo. Aqui a gente tem prática todos os dias. Nenhum módulo fica só na teoria. Sempre estamos aprendendo algo novo e aplicando. A conexão com os professores também faz diferença. São turmas focadas, e quando surge dúvida, o professor vai até o computador e orienta. O espaço é climatizado, tem coworking e uma estrutura que beneficia o aluno. A gente se sente motivado porque é um ambiente acolhedor”, relatou.

Para Rafael da Silva Bezerra, de 18 anos, o programa tem sido fundamental para impulsionar sua trajetória acadêmica. “No momento, é um curso de muito aprendizado, porque eu queria usar essa formação como um guia para seguir o caminho da área que eu desejo. O curso é maravilhoso. A estrutura me dá a possibilidade de aprender muito mais, com computadores adequados e salas bem organizadas. É tudo perfeito para o que eu quero para a área”, afirmou. Ele também comentou sobre os próximos passos na vida acadêmica, com ingresso na Universidade Federal de Sergipe (UFS). “Vou fazer Ciências Atuariais na UFS. É um curso em que a gente utiliza modelos matemáticos para prever danos antes que aconteçam, ligados a seguro de vida, previdência social, com uso de modelos matemáticos muito complexos”, explicou.

Além da empregabilidade

A professora e coordenadora de Inovação, Gabriela Rezende, destacou que, no último ano, o programa registrou mais de mil inscrições. “Foram 407 alunos selecionados. Já temos 159 formados no ciclo básico e no avançado, quando se tornam programadores júnior aptos a ir direto para o mercado. Desses, 78 concluíram a etapa avançada. Atualmente, estamos com 170 em formação”, destacou.

Segundo ela, o foco vai além da empregabilidade. “Estamos colocando no mercado jovens capacitados para atuar em tecnologia, sempre com atenção ao empreendedorismo, para que também possam criar suas próprias empresas. Após a formação, convidamos os alunos para participar do Jovem Tech Lab, um laboratório de novos sistemas e sites, ampliando experiências e fortalecendo seus currículos”, acrescentou Gabriela.

Vagas abertas

O programa abrirá 75 novas vagas para ingresso de alunos. As inscrições terão início na quarta-feira, 25 de fevereiro, por meio de formulário online disponível no perfil oficial do Inovase no Instagram (@inovaseorg). O processo funciona em formato de fila de espera: os interessados preenchem o formulário, respondem ao questionário com prova de seleção e, conforme a ordem de conclusão e a disponibilidade de vagas, são convocados. As vagas serão preenchidas gradualmente, de acordo com o envio das respostas e o desempenho na etapa inicial.

Foto: Karla Tavares / PMA

Modificado em 24/02/2026 17:02

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