“O Hospital de Cirurgia, mais uma vez, inovou na Cardiologia de Sergipe, tivemos um implante do dispositivo de suporte circulatório mecânico, chamado Impella. Esse foi o segundo Impella usado no estado para tratamento do choque cardiogênico e pela primeira vez usado em um paciente SUS. A missão do Cirurgia é essa: tratar o paciente da forma como ele merece, porque aqui toda a vida vale, importa muito”, destaca o chefe do Serviço de Cardiologia do HC, Dr. Luiz Flávio Prado.
Corrida contra o tempo
O chefe da Cardiologia relata que o equipamento, que não estava disponível no estado, precisou ser adquirido e transportado com urgência da Bahia para Sergipe. “Recebemos autorização da Direção para comprar o dispositivo, mas foi preciso trazê-lo de Salvador. Em menos de uma hora, o aparelho já estava a caminho. Ele chegou por volta das 23h, e à meia-noite estávamos no Serviço de Hemodinâmica para implantar. Às 3h da manhã, a paciente já estava na UTI usando o dispositivo. O coração ficou totalmente dependente dele nas primeiras 12 horas, e se não o tivéssemos, ela teria sucumbido”, relembra.
Williene deu entrada no HC para uma cirurgia cardíaca considerada simples, mas evoluiu para uma grave complicação no coração logo após o procedimento. “A paciente veio para fazer a sua primeira cirurgia cardíaca. No primeiro dia depois da operação, o coração começou a dar sinais de falência. Lançamos mão de medicamentos, depois do balão intra-aórtico, que ajudou pouco, e, diante da gravidade, reunimos o nosso Time de Choque Cardiogênico do Hospital de Cirurgia. Esse grupo é formado por cardiologistas, intensivistas, ecocardiografistas, hemodinamicistas, cirurgiões e outros especialistas preparados para lidar com casos de alta mortalidade. O Impella foi colocado como ponte para recuperação do coração e, felizmente, em menos de 48 horas, ela se recuperou plenamente e voltou para casa”, relata Dr. Luiz Flávio.
Tecnologia que salva
A colocação do Impella foi feita no Serviço de Hemodinâmica do HC. De acordo com o cardiologista intervencionista Dr. Wersley Araújo, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia – Regional Sergipe, trata-se de um equipamento inovador no tratamento do choque cardiogênico. Ele explica como o procedimento é realizado. “Ele é colocado dentro do ventrículo esquerdo e aumenta o débito cardíaco, melhorando a perfusão sistêmica. Isso evita disfunções orgânicas e ajuda o paciente a sair do choque. No caso de Williene, ela ficou totalmente dependente do dispositivo nas primeiras 24 horas e, após 60 horas, conseguimos retirá-lo com sucesso. Foi um trabalho de mobilização de todos os setores do hospital, da Diretoria, Cardiologia, Hemodinâmica, Enfermagem, Terapia Intensiva, mostrando que o Cirurgia está preparado para tratar pacientes graves no SUS”, ressalta.
Uma nova chance de vida
Para Williene de Farias, que nasceu em Alagoas, mora em Aracaju e é mãe de três filhos, o procedimento significou uma nova chance de vida. “Na infância, sempre fui limitada fisicamente, mas nunca investiguei a causa. Há alguns anos, comecei a sentir dores mais fortes e descobri que tinha problemas graves no coração. Fui fazer a cirurgia e, depois dela, aconteceu um rebuliço no meu coração. Quando eu acordei, a equipe me chamava de fênix, mas eu não tinha noção da gravidade. Sempre me senti acolhida, nunca fiquei sozinha e todas as informações foram passadas com clareza. Quando soube que esse dispositivo caro e inédito no SUS tinha sido usado em mim, pensei: ‘Uau! Meu Deus!’. Hoje, meu coração bate maravilhosamente bem e eu só sinto gratidão. Eu nasci novamente”, relata.
O sucesso do procedimento foi fruto do trabalho conjunto de uma grande equipe, composta por cirurgiões cardíacos, hemodinamicistas, anestesistas, cardiologistas, intensivistas e residentes, que se revezaram 24 horas por dia durante os três dias de uso do Impella na paciente. O Impella é uma intervenção médica extremamente complexo, que dependeu de uma equipe muito ampla.
Orgulho para Sergipe
A interventora judicial do Hospital de Cirurgia, a enfermeira Márcia Guimarães, ressaltou o significado desse marco para a instituição e para o SUS em Sergipe. “O Cirurgia mais uma vez se mostra pioneiro e preparado para oferecer o que há de mais moderno em benefício dos pacientes. Esse resultado é fruto da competência e dedicação de toda a equipe liderada pelo Dr. Luiz Flávio, e também do apoio contínuo do Governo do Estado, por meio do governador Fábio Mitidieri e do secretário estadual de Saúde, Cláudio Mitidieri. É motivo de orgulho saber que um hospital que atende paciente do Sistema Único pode realizar um feito tão grandioso e salvar vidas com excelência”, finaliza.
Texto e foto enviados pela assessoria