Isso porque, até este ano, uma lei municipal impedia que pessoas com mais de 50 anos prestassem concurso para o magistério em Aracaju. A realidade mudou com a sanção de lei encaminhada pela prefeita Emília Corrêa à Câmara Municipal e aprovada pelos vereadores. A nova legislação derrubou o limite de idade e abriu caminho para profissionais experientes como Roberto iniciarem uma nova trajetória na educação pública.
“Foi uma conquista e um presente, porque é uma valorização dessa faixa de trabalhador que está no seu auge, ainda tem muito a contribuir. Foi muito maravilhoso porque criou uma nova realidade para esses professores. Era um sonho meu, então eu paro e penso que eu consegui”, celebrou o professor.
Roberto está entre os 190 professores que já foram chamados para atuar na rede municipal de Aracaju desde maio, quando o concurso foi homologado. No total, 425 candidatos foram aprovados para o provimento de vagas e formação de cadastro de reserva e estão sendo incorporados gradativamente à rede para atender às necessidades das escolas.
Apesar de ter nascido em uma família com várias professoras, ele optou pela Administração e entrou no ramo petrolífero, onde trabalhou por vários anos. O desejo pela sala de aula ficou adormecido, mas foi vibrando aos poucos ao longo de sua vida, até que o levou a cursar Ciências da Religião na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Após a conclusão da graduação, em paralelo à vida administrativa, se preparou para prestar seu primeiro concurso no campo do magistério. Foram quase dois anos intensos de estudos até o último certame da Secretaria Municipal da Educação de Aracaju.
O esforço deu resultado. Aprovado, Roberto foi convocado para lecionar a matéria de Ensino Religioso a alunos das turmas do 6º ao 8º ano, garantindo, com sua formação, um enfoque científico e diversificado à disciplina. “É preciso entender o contexto da disciplina do Ensino Religioso, que antes era vinculada a tradições religiosas, a aulas catequéticas. Hoje, a predominância deve ser da ciência, do olhar científico para esse fenômeno religioso que perpassa a sociedade. Nessa área específica, busco dar essa contribuição com a questão da diversidade religiosa, racial e de gênero. Ou seja, todas essas questões que exigem uma reflexão da sociedade”, completou.
Para Roberto, a presença em sala de aula tem um sentido duplamente educativo. Além de demonstrar o poder de um sonho de que não desistiu, espera ser um espelho para os alunos sobre longevidade e prosperidade no exercício profissional.
“Na minha faixa etária, alguns professores estão pensando em parar, porque realmente é uma profissão que exige uma uma entrega total, mas eu ainda estou naquela fase em que parece que eu estou começando agora a minha carreira profissional. Espero não perder isso também, e certamente não vou, porque é um sonho que agora estou realizando”, disse ele.
Fotos: Karla Tavares/Secom Aracaju