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Educação especial: Aracaju consolida estratégias com foco na autonomia e no desenvolvimento dos alunos

A rede municipal de ensino de Aracaju tem estruturado um modelo de atendimento voltado à educação especial que busca garantir não apenas o acesso, mas a permanência e a aprendizagem dos estudantes público-alvo. Coordenada pela Secretaria Municipal da Educação (Semed), a política atende atualmente 3.419 alunos distribuídos em 80 escolas e sete anexos, incluindo estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades ou superdotação. Desse total, 3.040 são alunos com TEA, o que representa a maior parcela desse público na rede.

O atendimento começa ainda no processo de matrícula, que ocorre de forma preferencial para esse público. Segundo a coordenadora da Educação Especial da Semed, Rosahyarah Alves Gouveia, o número de estudantes atendidos é dinâmico e tem crescido à medida que mais famílias buscam diagnóstico e inserção na rede. Ela destaca que o trabalho envolve estudantes com deficiência, autismo e altas habilidades, e que toda a rede conta com salas de recursos multifuncionais, onde o atendimento especializado acontece no contraturno.

A coordenadora ressalta que o acompanhamento não se limita à sala de aula. “Trabalhamos com rodas de conversa com as famílias para que compreendam direitos e deveres. É fundamental que exista a tríade entre família, educação e terapia. Quando esse diálogo acontece, conseguimos alinhar o que a escola observa com as orientações dos profissionais que acompanham a criança fora do ambiente escolar”, disse.

Dentro das unidades, o atendimento é organizado a partir da atuação conjunta de professores da sala regular, profissionais de apoio e mediadores. Esses profissionais recebem capacitação contínua e atuam de acordo com a necessidade de cada estudante, definida a partir de estudos de caso. “Nosso acompanhamento é institucional e baseado em evidências pedagógicas. Nem toda criança precisa de apoio exclusivo, e esse entendimento é importante. Trabalhamos para que a criança tenha autonomia, evitando a criação de dependência quando não há necessidade”, pontua.

Um dos avanços destacados pela gestão é o mapeamento inédito da educação especial na rede, realizado por meio de sistema próprio, que permite identificar o perfil dos estudantes por escola, turma e nível de suporte. A iniciativa também fortalece a tomada de decisão e o encaminhamento adequado de cada caso.

Outro instrumento central é o Plano Educacional Individualizado (PEI), elaborado em conjunto com a família e a equipe pedagógica. O documento orienta o planejamento das atividades e considera as especificidades de cada estudante. “As atividades são adaptadas a partir das necessidades e potencialidades de cada criança. O PEI não é um documento de gaveta, ele orienta a prática pedagógica e garante que esse aluno avance, seja no conteúdo acadêmico ou nas habilidades sociais”, explica a coordenadora.

A articulação com a área da saúde também integra a política educacional. Por meio do Programa Saúde na Escola, estudantes são encaminhados para atendimento nas Unidades de Saúde da Família (USF) e, quando necessário, para a rede especializada. A assessora técnica do programa, Aline Vieira Barros Guimarães, destaca a implementação do projeto-piloto ‘TEA – Uma ação acolhedora na escola’. “Os alunos passam por avaliação na rede básica e seguem para atendimento especializado conforme a necessidade. Paralelamente, desenvolvemos ações dentro das escolas com psicopedagogo e psicólogo, focadas nas demandas desses estudantes. Hoje atendemos cerca de 100 alunos em duas unidades e a proposta é ampliar para mais seis escolas, com resultados já percebidos na evolução cognitiva e no acolhimento desses alunos”, relata.

Na prática escolar, o atendimento se materializa no cotidiano das unidades. Na Escola Municipal Professor José Antônio da Costa Melo, no bairro Getúlio Vargas, cerca de 50 alunos da educação especial estão inseridos nas turmas regulares e participam das atividades da sala de recursos multifuncionais, que conta com duas salas.

O professor Valdecarlos Brandão Carvalho explica que o planejamento é construído a partir das necessidades individuais. “O trabalho começa com uma escuta da família, por meio de anamnese, para compreender a criança. A partir disso, elaboramos um plano individualizado que vai sendo ajustado conforme o aluno avança. Utilizamos diferentes estratégias, como atividades motoras, rotinas estruturadas e até a música, que auxilia no acolhimento e no processo de aprendizagem, sempre respeitando o tempo de cada estudante”, detalha.

A rotina também envolve o trabalho direto dos profissionais de apoio, como relata Maristela França Veiga. “A gente acompanha os alunos nas atividades em sala, nas aulas externas, na alimentação e nos cuidados diários. Também incentivamos a participação e a socialização, inclusive de alunos que ainda não têm laudo. É um trabalho contínuo, com formação ao longo do ano, e o mais gratificante é perceber o desenvolvimento das crianças, principalmente quando começam a interagir e evoluir, algo que as famílias também relatam”, afirma.

A organização pedagógica exige articulação constante entre equipe gestora, professores e profissionais especializados. A coordenadora pedagógica Vilse Maria dos Santos Gonçalo destaca que o trabalho coletivo é essencial para o funcionamento da escola em tempo integral. “Mantemos diálogo permanente entre professores da sala regular e da sala de recursos, além da escuta das famílias. Nem sempre é simples, porque cada turma tem suas demandas, mas buscamos ajustar o atendimento conforme a necessidade. O apoio dos profissionais do AEE é fundamental, tanto no atendimento direto quanto na orientação dos professores”, concluiu.

Foto: Ronald Almeida/PMA

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