A Corrida Cidade de Aracaju, também conhecida como São Cri Cri, é um dos principais eventos realizados pela Prefeitura. A corrida, que representa a mudança da capital sergipana de São Cristóvão para Aracaju, também tem um significado especial para a vida daqueles que participam. Além da competição, a prática do atletismo é um grande agente de transformação na vida das pessoas que praticam o esporte.
Nos últimos anos, a corrida de rua se popularizou bastante no Brasil entre todas as idades. Consequentemente, o número de clubes e assessorias de corridas aumentou e as provas também se multiplicaram. Na Corrida Cidade de Aracaju de 2026, 12 mil pessoas estão inscritas nos três trajetos, 5km, 10 km e 24km.
A atividade física é essencial para que as pessoas tenham uma melhor qualidade de vida, além de ajudar na prevenção e tratamento de doenças físicas e psicológicas. A professora, Daiane Tarrago, fumou por 20 anos e em 2021 decidiu parar de fumar. Após a interrupção do cigarro, ela teve receio de ganhar peso e para manter o foco de não voltar para o vício começou na corrida de rua. “A corrida preencheu o vazio, que no meu caso o cigarro deixou, e deve preencher o vazio de outras pessoas. Mas eu acho que a corrida realmente completa a vida da gente com coisas boas, ela foi a minha válvula de escape. Então, correr para mim é me distanciar cada vez mais do cigarro, ela me mantém longe do cigarro todos os dias e acho que a corrida mudou a vida da minha família inteira”.
Daiane contou que o seu marido, Cristiano Tarrago, passou a correr ao seu lado como incentivo para que ela não voltasse a fumar. “Começamos juntos aos pouquinhos, evoluindo os quilômetros de maneira correta. E foi assim que surgiu o Corrida sem fumaça, o nosso perfil onde contamos todo esse processo e tentamos incentivar cada vez mais a uma vida saudável”, disse. Cristiano diz que a corrida os aproximou mais como casal e parceiros. “A gente emagreceu juntos, ganhamos resistência física, aeróbica, melhoramos toda a nossa qualidade de vida e juntos”.
A corrida de rua também desempenha um importante papel no processo de emagrecimento e esse foi o caso de Emanuelle Tourinho e Zarath Rocha. Ambos encontraram na corrida, mas que uma forma de movimentar o corpo. Eles encontraram motivação para não desistir. Emanuelle disse que antes de emagrecer, ela não tinha muito ânimo para praticar atividade física e que após iniciar com acompanhamento médico e perder os primeiros cinco quilos que começou na corrida.
“Eu não tinha muita disposição nem muita força para manter uma constância na atividade física. Porque a obesidade realmente me limitava de diversas formas, então à medida que consegui ir emagrecendo, comecei a me exercitar mais e assim encontrei a corrida. No começo foi bastante difícil, porque correr com 100 quilos não é uma tarefa fácil, mas cada evolução que eu já tive já comemoro porque realmente foi uma vitória muito grande”, relatou.
Emanuelle participou da sua primeira corrida logo após perder os seus primeiros cinco quilos. “Em fevereiro do ano passado resolvi me inscrever numa prova de cinco quilômetros. Eu consegui completar a prova completa e quando terminei eu chorei tanto, fiquei muito emocionada. Porque quando você sai do quadro de obesidade cada conquista vale o triplo. A sensação é de estar viva de novo”, contou Emanuelle emocionada.
Zarath Rocha é outro corredor que encontrou na corrida uma fonte de motivação e mudança de vida. Praticante do esporte há quase 16 anos, Zarath correu a sua primeira São Cri Cri em 2013 e começou já pelas provas de 24 quilômetros. O corredor disse que a corrida solidificou todo o processo de emagrecimento, no qual ele perdeu 40 quilos. “A sensação da obesidade é estar preso dentro do seu próprio corpo. E quando comecei a emagrecer vi na corrida uma outra forma de me superar e de firmar todo aquele processo, então me inscrevi com essa mentalidade de que se eu consegui perder esse peso eu conseguiria tudo e assim fiz”.
Zarath também destaca que a corrida de rua se transformou em remédio quando ele começou a se superar. “Quando eu fui vencendo cada etapa, aumentando as minhas distâncias, vendo que eu estava evoluindo. Isso foi me motivando e fazendo muito bem para mim, porque eu realmente estava bem e saudável, além de feliz”, contou.
A Corrida
A Corrida Cidade de Aracaju é uma das principais provas de corrida do país, atraindo corredores amadores e profissionais de diversos estados. A prova além de destacar pelas das suas características físicas mais conhecidas, como as ladeiras e transição entre duas cidades, também recebe foco pela grande participação e incentivo da população que vai assistir a prova.
Para Cristiano é fantástico ter o apoio da população a cada etapa dos percursos. “A participação popular torna essa prova singular, no estado todo, quiçá no Brasil. Você chega depois de correr tantos quilômetros, cansado de tantas ladeiras, aí você passa ali no bairro América, nas imediações do Eduardo Gomes e muita gente na rua, crianças e idosos dando a mão para você bater. É realmente incrível”, disse.
Zarath, que já correu sete Corridas Cidade de Aracaju, também reforçou a importância da participação popular. “Eu já corri mais de 40 meias maratonas do Brasil e a única prova corrida aqui do país que você é motivado pelas pessoas do início ao fim é a São Cri Cri. Não existe nada igual ao que vivemos aqui, porque as pessoas vão para a porta de casa te prestigiar e elas prestigiam do primeiro ao último colocado”, celebrou. O corredor também disse que a etapa de 24 km é mais que uma prova, é uma experiência completa.
“A corrida tem uma coisa que é muito marcante para mim, é que ela começa de dia e termina à noite. Então você começa com o dia claro, o calor e no decorrer vai escurecendo, vindo aquele vento. Além de que tem toda a transformação do espaço. Você começa escutando os bois, as vacas, galinhas e depois começa a vir os automóveis mais altos, as edificações. Então é uma mágica, uma prova realmente completa onde você vive tudo”, contou Zarath.
Assim como o decorrer da prova, o momento da passagem pela linha de chegada trás um sentimento especial para cada um. Para Daiane, passar pela linha de chegada representa a vitória dos objetivos de cada um. “É muito difícil colocar em palavras a sensação que é cruzar a linha de chegada. Porque ainda que a gente explique, só quem cruza ali sabe o que se passa naquele momento. Pois, quando você participa de provas como essa, somos atletas amadores e o nosso principal concorrente somos nós mesmos. Então, só de você fazer uma prova com qualidade, chegar bem e ir melhorando o seu tempo, você se sente um verdadeiro campeão ao passar pela linha de chegada”, falou.