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Aracaju 171 anos: programação afro leva ancestralidade e representatividade à praça de Eventos

A programação cultural em celebração aos 171 anos de Aracaju seguiu movimentando a Orla da Atalaia no segundo dia de festividades, com uma noite dedicada à musicalidade afro-brasileira e às expressões culturais de matriz africana. O público acompanhou apresentações que reforçaram a presença da ancestralidade e da tradição no palco, reunindo grupos e artistas que têm trajetória marcada pela valorização da cultura negra. Entre os destaques estiveram o coletivo Samba de Terreiro, o Afoxé Filhos de Gandhy, o Afoxé Di Preto e a cantora Ana Mametto.

Abrindo a sequência de apresentações, o coletivo Samba de Terreiro trouxe ao palco uma performance que une música, dança e elementos simbólicos ligados à cultura afro-brasileira. O grupo, que tem se destacado por integrar diferentes linguagens artísticas, apresentou um espetáculo marcado pelos tambores e pela expressividade corporal.
A diretora artística do coletivo, Maitê de Lima, destacou a relevância de integrar a programação comemorativa da capital com manifestações que dialogam com a ancestralidade presente na formação cultural da cidade. Segundo ela, a participação do grupo representa um momento significativo para o reconhecimento dessas tradições.

“A importância de evocar a energia de Exu e o povo da rua na programação do aniversário da capital é de suma relevância, visto que é um território que a gente está ocupando e é uma ancestralidade que faz parte do imaginário da capital. Então, para a gente, é um marco histórico muito relevante estar fazendo parte da programação e evocando essa energia maravilhosa”, pontuou.

Maitê também explicou que a proposta do espetáculo vai além da musicalidade, trazendo ao palco elementos performáticos que dialogam com a corporeidade e a simbologia presentes nas manifestações culturais de matriz africana. “O Samba de Terreiro traz performance. Para além da musicalidade, dos tambores, a gente vai trazer a corporeidade desse povo da rua. Então é um diferencial, uma novidade do coletivo Ecta, que está junto com o Samba de Terreiro, que é justamente os intérpretes. A gente vai evocar essa interpretação, essa corporeidade, essa movimentação do povo da rua”, acrescentou.

Outro momento aguardado pelo público foi a apresentação do Afoxé Filhos de Gandhy, grupo tradicional ligado ao Carnaval de Salvador e reconhecido por sua trajetória marcada pela defesa da paz e pelo fortalecimento das tradições afro-brasileiras. Fundado em 1949, o afoxé se tornou um dos mais emblemáticos blocos da cultura baiana, levando para as ruas cânticos, ritmos e mensagens de união.

Para Júnior Black, um dos vocalistas da ala de canto do grupo, participar das comemorações do aniversário da capital sergipana tem um significado especial, sobretudo por aproximar diferentes públicos da cultura afro-brasileira. “Hoje é uma honra enorme, é um prazer, é inenarrável, porque esse convite é muito especial para toda a nação Filhos de Gandhy e também para a galera da religião. É muito importante estarmos todos juntos, porque esse movimento não é só para nós, do candomblé. É para quem é e para quem não é também. A gente não tem preconceito. O Gandhy sempre levanta essa bandeira de plantar paz para semear paz. A gente é um bloco da paz, um bloco de tradição, de raiz, de coisas fortes. Então a gente só tem a agradecer muito a Aracaju e vamos comemorar daquele jeitinho, em grande estilo”, disse.

Representando a cena local, o Afoxé Di Preto também marcou presença na programação, levando ao palco um trabalho que há quase duas décadas mantém viva a musicalidade ligada às tradições afro-religiosas em Sergipe. O cantor Allan de Xangô destacou que a participação no evento reforça a trajetória do grupo e o compromisso com a valorização da cultura afro-sergipana. “É um momento muito especial para a gente, nesse aniversário de 171 anos de Aracaju, trazendo africanidade, trazendo afro-sergipanidade. O grupo é formado por músicos e adeptos da religião de matriz africana, todos aracajuanos. Então trazer a nossa musicalidade para esse momento está sendo algo muito especial”, afirmou.

Encerrando a noite, a cantora baiana Ana Mametto subiu ao palco trazendo ao público um repertório que dialoga com as raízes da música afro-brasileira e com os ritmos que marcaram sua trajetória artística. Reconhecida por sua ligação com o samba-reggae e por sua participação em importantes projetos da música baiana, a artista celebrou o convite para integrar a programação cultural do aniversário da capital sergipana e falou sobre a importância de manter viva a conexão entre música, ancestralidade e identidade cultural.

“Estou radiante, feliz da vida, porque estou em Sergipe, terra do meu pai. Fico muito feliz em trazer meu show para este evento que celebra os 171 anos dessa cidade tão especial. É uma programação diversa, onde é possível escutar de tudo um pouco, com espaço para todos os gostos e para todos os públicos. Hoje é um dia especial porque estamos exaltando a cultura afro-brasileira. Trouxemos bailarinos e um repertório que reúne canções autorais e músicas que marcaram a história da música popular brasileira, então tem gosto para tudo hoje. Estou muito feliz mesmo de estar pisando nesse chão, nessa terra tão especial que é Aracaju. São 171 anos de cultura e diversidade e, com certeza, o meu show vai trazer muita alegria para este dia especial, nesta noite de comemoração”, concluiu Ana Mametto.

Foto: Ronald Almeida

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