O senador fez referência à nota oficial divulgada por Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência da República, na qual ele se apresenta como presidente eleito. Para Alessandro, a postura contraria o reconhecimento do resultado eleitoral pelos partidos e pelos demais envolvidos na disputa e alimenta discursos no exterior prejudiciais aos interesses brasileiros.
“As eleições se encerraram, o resultado foi proclamado, os presidentes dos partidos reconheceram o resultado, todos os envolvidos reconheceram o resultado, questionando, claro, e é direito, questionando circunstâncias, atuação da Justiça, abuso de poder econômico, mas reconhecendo o resultado que as urnas manifestaram por uma diferença de mais de 4 milhões de votos”, afirmou.
Alessandro ressaltou que questionamentos sobre as circunstâncias do processo eleitoral e a atuação da Justiça são legítimos, mas não devem servir para negar o resultado proclamado. O senador defendeu que o Congresso assuma sua responsabilidade institucional diante do episódio e se manifeste contra declarações que, em sua avaliação, ameaçam a legitimidade do processo democrático.
“Todos nós, que somos eleitos pelo voto popular, que representamos o Brasil, os brasileiros, e, mais do que isso, temos a obrigação de zelar pela democracia, precisamos fazer duas coisas urgentes. A primeira delas é a repulsa a esse tipo de manifestação”, disse.
Críticas à Justiça e à manipulação nas redes
O senador também avaliou o cenário eleitoral e apontou problemas que, na sua visão, precisam ser enfrentados para fortalecer a democracia brasileira. Entre eles, citou abusos de poder político e econômico, que considera recorrentes nas eleições brasileiras, e a manipulação algorítmica nas plataformas digitais.
“Tivemos manipulação algorítmica, que é uma novidade, e tem que ser objeto de trabalho legislativo e de regulamentação, porque claramente as Big Techs tensionaram para um lado”, declarou.
Alessandro também fez uma crítica contundente à credibilidade do Judiciário. Para ele, a perda de confiança na Justiça é um dos problemas centrais do país e exige responsabilidade das instituições e dos próprios representantes políticos.
“Você tem um Judiciário no Brasil, e talvez este seja o problema central, você tem uma Justiça no Brasil que não merece o respeito dos brasileiros, e essa é uma responsabilidade nossa”, afirmou.
Ao defender o enfrentamento dessas questões, o senador ponderou que, apesar das falhas institucionais, o Brasil continua sendo uma democracia na qual os representantes podem se manifestar e disputar eleições. “Convenhamos, vivemos numa democracia torta, mal conduzida, injusta, mas democracia”, disse.
Alessandro também chamou a atenção para os efeitos internacionais da contestação eleitoral. Segundo ele, declarações dessa natureza colocam em risco os interesses do país ao dar espaço, no exterior, a discursos contrários ao Brasil.
“Esse tipo de providência que o candidato derrotado à Presidência adota, ele coloca em risco os interesses do Brasil, dos brasileiros, porque dá vazão a discursos no exterior que são contrários ao interesse do nosso Brasil”, afirmou.
Por assessoria